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Ampliar a Casa: Como Planejar a Obra, Custos por m², Projeto Aprovado e Etapas em 2026

Guia completo para ampliar a casa em 2026. Custo de R$ 600 a R$ 2.500 por m², alvará, reforço estrutural e 9 etapas da obra de ampliação.

RF

Rodrigo Freitas

Engenheiro Eletricista (UNESP)

Casa residencial em Belo Horizonte com ampliação em construção, paredes de bloco de concreto sendo erguidas ao lado da estrutura existente, pilares com vergalhões conectando a construção nova à antiga, trabalhadores brasileiros com capacete instalando vigas do telhado, betoneira e materiais de obra no quintal sob luz natural da tarde
Ampliar a casa é mais barato que mudar — mas sem projeto aprovado, fundação compatível e alvará, a economia vira prejuízo

O casal mede a cozinha pela terceira vez naquela semana. Seis metros quadrados. Duas pessoas, uma criança e a mesa encostada na parede porque o fogão não cabe de outro jeito. A casa tem terreno sobrando na lateral — um corredor de dois metros que ninguém usa — e a ideia já ronda há meses: ampliar a casa. Empurrar a cozinha para o lado, ganhar uma bancada decente, quem sabe uma lavanderia separada. Parece simples. Mas entre medir a parede e terminar a obra existem decisões que, se tomadas errado, transformam uma ampliação de R$ 30 mil num problema de R$ 60 mil.

Ampliar a casa custa entre R$ 600 e R$ 2.500 por m² em São Paulo (SINAPI + CUB, SP, janeiro/2026), dependendo do tipo de ampliação. Um puxadinho lateral de 20 m² com acabamento médio sai entre R$ 24 mil e R$ 36 mil. Um segundo andar do mesmo tamanho pode chegar a R$ 50 mil por causa do reforço de fundação. E uma edícula nos fundos é a opção mais econômica por metro quadrado — entre R$ 600 e R$ 1.100/m².

A diferença entre ampliar bem e ampliar mal está em três decisões: o tipo de ampliação certo para o terreno, o projeto aprovado na prefeitura e a conexão estrutural entre o novo e o existente. Este guia cobre as três — com custos da tabela SINAPI de janeiro/2026 e os erros que encarecem a obra.

Três formas de ampliar a casa: qual escolher

Antes de pedir orçamento, a primeira decisão é a mais estratégica: como ampliar. Existem três caminhos, cada um com custo, complexidade e exigências diferentes. A escolha errada gera retrabalho, custo excedente e até embargo da prefeitura.

Puxadinho lateral (expansão horizontal)

A forma mais comum de ampliar a casa no Brasil. Uma nova construção que “encosta” na existente, geralmente avançando sobre o corredor lateral ou o recuo de fundos. Amplia cozinha, sala, lavanderia ou cria um quarto novo no térreo.

O custo fica entre R$ 1.200 e R$ 1.800 por m² com acabamento médio. É mais barato que o segundo andar porque não precisa de reforço de fundação nem de laje. Mas tem um limite: o terreno precisa ter espaço e o projeto precisa respeitar recuos e taxa de ocupação do lote.

Prazo típico: 30 a 60 dias úteis para 15 a 25 m² de ampliação.

Segundo andar (expansão vertical)

Subir um pavimento sobre a casa existente. A solução para quem não tem terreno livre na lateral nem nos fundos. Ganha quartos, suítes, escritório — sem sacrificar área no térreo.

O custo é o mais alto: R$ 1.500 a R$ 2.500 por m². O preço sobe porque a fundação e a estrutura existentes quase sempre precisam de reforço. Pilares, vigas e sapatas que foram dimensionados para um pavimento não aguentam o peso de dois sem intervenção. O reforço estrutural sozinho pode custar de R$ 8.000 a R$ 25.000, dependendo do tamanho da casa e do tipo de solo.

Prazo típico: 60 a 120 dias úteis. A etapa de reforço estrutural é a mais demorada.

Edícula nos fundos (construção independente)

Uma construção separada da casa principal, com fundação e estrutura próprias. É a opção com menor custo por metro quadrado — R$ 600 a R$ 1.100/m² — porque não mexe na estrutura existente e usa fundação simples (radier). Para quem quer quarto de hóspedes, kitnet para renda, home office ou espaço gourmet, a edícula é a melhor relação custo-benefício.

A desvantagem: não é integrada à casa. Se a necessidade é ampliar a cozinha ou criar uma suíte conectada ao corredor, a edícula não resolve. Veja nosso guia completo de como construir edícula e quanto custa construir uma edícula.

Infográfico comparativo entre três formas de ampliar a casa: puxadinho lateral com custo de R$ 1.200 a R$ 1.800 por m² e prazo de 30 a 60 dias, segundo andar com custo de R$ 1.500 a R$ 2.500 por m² e prazo de 60 a 120 dias, edícula nos fundos com custo de R$ 600 a R$ 1.100 por m² e prazo de 45 a 75 dias, mostrando complexidade, reforço estrutural e melhor uso de cada tipo
A edícula tem menor custo por m², mas o puxadinho lateral é a única opção quando a meta é ampliar um cômodo existente (SINAPI + CUB, SP, jan/2026)

Quanto custa ampliar a casa em 2026

O custo por m² de ampliação varia conforme o tipo, o padrão de acabamento e a região. A tabela abaixo usa dados SINAPI e CUB de janeiro/2026, referência para São Paulo. O CUB R-1 do SINDUSCON-SP — residência popular — registrou R$ 2.105,73/m² em janeiro/2026. Se o orçamento da ampliação ultrapassar esse valor por metro quadrado, está acima do padrão popular e vale revisar o acabamento.

Por tipo de ampliação (acabamento médio, SP)

Tipo de ampliaçãoCusto por m²15 m²20 m²30 m²
Puxadinho lateralR$ 1.200 – R$ 1.800R$ 18.000 – R$ 27.000R$ 24.000 – R$ 36.000R$ 36.000 – R$ 54.000
Segundo andarR$ 1.500 – R$ 2.500R$ 22.500 – R$ 37.500R$ 30.000 – R$ 50.000R$ 45.000 – R$ 75.000
Edícula independenteR$ 600 – R$ 1.100R$ 9.000 – R$ 16.500R$ 12.000 – R$ 22.000R$ 18.000 – R$ 33.000

O que compõe o custo

O custo total de uma ampliação lateral de 20 m² se divide assim:

  • Projeto e documentação: 8% (R$ 2.500) — projeto arquitetônico, ART ou RRT, alvará de construção
  • Fundação e estrutura: 18% (R$ 5.400) — sapata ou radier, pilares e vigas de concreto armado
  • Alvenaria: 14% (R$ 4.200) — paredes de bloco cerâmico com argamassa de assentamento
  • Telhado ou laje: 12% (R$ 3.600) — estrutura de madeira ou metálica + telha cerâmica ou laje pré-moldada
  • Elétrica: 9% (R$ 2.800) — pontos de tomada, iluminação, circuitos dedicados
  • Hidráulica: 7% (R$ 2.200) — pontos de água e esgoto (quando a ampliação inclui área molhada)
  • Acabamento: 24% (R$ 7.200) — piso, revestimento, pintura, esquadrias, louças, metais
  • Imprevistos: 8% (R$ 2.400) — reserva para surpresas na fundação e na estrutura existente

Total estimado para puxadinho de 20 m² (material + mão de obra): R$ 30.300 (SINAPI + mercado, SP, janeiro/2026).

Gráfico de barras horizontais mostrando o custo de cada fase da ampliação lateral de 20 m² em São Paulo: projeto e docs R$ 2.500, fundação e estrutura R$ 5.400, alvenaria R$ 4.200, telhado R$ 3.600, elétrica R$ 2.800, hidráulica R$ 2.200, acabamento R$ 7.200, imprevistos R$ 2.400 — total R$ 30.300
O acabamento sozinho custa quase um quarto do total — e é a fase que mais estoura o orçamento quando o proprietário muda de ideia no meio da obra (SINAPI + mercado, SP, jan/2026)

Para outros estados, aplique o multiplicador regional SINAPI: Rio de Janeiro (×1,13), Minas Gerais (×1,00), Rio Grande do Sul (×1,08), Bahia (×0,93), Ceará (×0,91). Uma ampliação que custa R$ 30 mil em SP sai em torno de R$ 25.400 em MG.

Projeto e documentação: o que fazer antes de quebrar parede

Toda ampliação que altera a área construída do imóvel precisa de aprovação na prefeitura. Não existe “puxadinho pequeno demais para precisar de alvará”. Se aumentou a área, precisa de projeto aprovado, alvará de construção e responsável técnico.

Projeto arquitetônico

Contrate um arquiteto ou engenheiro civil para elaborar o projeto. O profissional levanta a situação atual da casa (medidas, estrutura existente, instalações), posiciona a ampliação no terreno respeitando recuos e taxa de ocupação, e desenha a planta da área nova integrada à existente.

O custo do projeto varia de R$ 1.500 a R$ 4.000 para ampliações de 15 a 30 m². O profissional recolhe RRT (se arquiteto, no CAU) ou ART (se engenheiro, no CREA) como responsável técnico.

Alvará de construção

Com o projeto pronto, protocole o pedido de alvará na prefeitura. Em São Paulo, o processo é digital pelo Portal de Licenciamento. Documentos obrigatórios:

  1. Projeto arquitetônico com ART ou RRT
  2. Cópia da matrícula atualizada do imóvel
  3. Cópia do IPTU
  4. Memorial descritivo da ampliação
  5. Comprovante de propriedade

O prazo de análise varia de 30 a 90 dias, dependendo do município. A taxa do alvará custa entre R$ 300 e R$ 500 na maioria das prefeituras. Parece burocracia? Compare com o custo de construir sem autorização — multa de até 150% do valor da obra e possibilidade de embargo.

ART de execução

Além da ART do projeto, a obra precisa de ART de execução — assinada pelo engenheiro ou mestre de obras que vai executar a construção. A ART custa a partir de R$ 120 no CREA. Detalhes em quanto custa a ART e quando a ART é obrigatória.

Recuos e taxa de ocupação: o que o terreno permite

Antes de posicionar a ampliação, verifique no código de obras do município os limites de ocupação do lote. Ignorar essas regras é a causa número um de negativa de alvará.

Recuo frontal. A ampliação não pode avançar sobre a faixa de recuo da frente do lote. Em São Paulo, o recuo frontal é geralmente de 5 metros — e a maioria das casas já ocupa esse limite.

Recuo lateral. Mínimo de 1,50 m da divisa lateral na maioria dos códigos de obras. Aquele corredor lateral de 2 metros que parecia espaço sobrando? Depois de descontar o recuo, sobra meio metro — insuficiente para uma parede.

Recuo de fundos. Mínimo de 1,50 m da divisa de fundos. Quem quer ampliar a casa para trás precisa checar esse limite.

Taxa de ocupação (TO). É o percentual máximo do terreno que pode ser coberto por construção. Em zonas residenciais de São Paulo, geralmente fica entre 50% e 70%. A ampliação soma com a área existente no cálculo. Se a casa já ocupa 65% do terreno e a TO máxima é 70%, só cabem mais 5% — o que em um terreno de 200 m² equivale a míseros 10 m².

Coeficiente de aproveitamento (CA). Limita a área total construída (soma de todos os pavimentos). Se a casa térrea de 120 m² está num terreno com CA = 1,0 e o lote tem 200 m², a área máxima é 200 m² — sobram 80 m² de potencial construtivo.

Esses índices variam por município e por zona. O arquiteto consulta a legislação vigente como parte do serviço de projeto. Não tente adivinhar — consulta errada de TO ou CA invalida o projeto inteiro.

Fundação e estrutura: como conectar o novo ao existente

A ligação entre a construção nova e a casa existente é o ponto mais crítico de qualquer ampliação. Errar aqui gera trincas, infiltração e problemas estruturais que aparecem meses depois da obra.

O problema: recalque diferencial

A fundação existente já se acomodou no solo. A nova vai recalcar em ritmo diferente. Quando as duas descem em velocidades distintas, a junta entre as construções abre e aparecem trincas.

A solução é uma junta de dilatação entre a construção nova e a existente: espaço de 2 a 5 cm preenchido com espuma de polietileno e selante de poliuretano. As duas estruturas se movem independentemente sem trincar.

Quando o reforço estrutural é necessário

Puxadinho lateral no térreo geralmente dispensa reforço — tem fundação e estrutura próprias. Segundo andar é diferente: a fundação original e os pilares foram calculados para um pavimento. Duplicar a carga exige reforço. As opções:

  • Encamisamento de pilares: envolver os pilares existentes com nova armadura e concreto, aumentando a seção e a capacidade de carga. Custo: R$ 800 a R$ 2.000 por pilar.
  • Reforço de fundação com microestacas: estacas de pequeno diâmetro perfuradas ao lado das sapatas existentes, transferindo parte da carga para camadas mais profundas do solo. Custo: R$ 220 a R$ 350 por metro linear de microestaca.
  • Novas sapatas ou estacas: quando a fundação existente não aceita reforço, o engenheiro pode projetar fundação independente para o segundo pavimento, com pilares novos descendo ao lado dos existentes.

O custo total do reforço estrutural para subir um andar numa casa de 60 a 80 m² varia de R$ 8.000 a R$ 25.000, dependendo do estado da estrutura existente e do tipo de solo. É o item que torna o segundo andar significativamente mais caro que o puxadinho lateral.

Laudo estrutural: o exame que salva a obra

Antes de decidir subir um andar, peça um laudo estrutural da casa existente. O engenheiro avalia pilares, vigas, fundação e laje para determinar se a estrutura suporta carga adicional e qual reforço é necessário. O laudo custa entre R$ 1.500 e R$ 4.000 (veja mais em laudo técnico para reforma).

Sem laudo, o empreiteiro vai “achar” que a estrutura aguenta. “Achar” em engenharia é receita para desastre.

Subir um andar: quando vale a pena

A expansão vertical resolve um problema que o puxadinho não resolve: falta de terreno. Se a casa já ocupa quase toda a taxa de ocupação do lote, a única direção é para cima.

Vantagens

  • Não consome terreno. O quintal, o corredor lateral e a garagem ficam intactos.
  • Valoriza o imóvel. Uma casa de dois andares com habite-se vale mais por m² que uma térrea na mesma localização.
  • Separação de usos. Térreo para área social; andar de cima para quartos e suítes.

Desvantagens

  • Custo alto. O reforço estrutural encarece de 30% a 60% em relação ao puxadinho.
  • Prazo longo. Reforço + laje + alvenaria do segundo pavimento leva de 60 a 120 dias.
  • Obra invasiva. Poeira, ruído e vibração afetam quem mora no térreo durante a obra.
  • Risco estrutural se mal executado. Segundo andar sem projeto é a causa mais comum de trincas e recalques.

A laje: pré-moldada ou maciça

Se a casa já tem laje, o engenheiro avalia se aguenta o peso do segundo pavimento. Se não aguenta: reforço com vigas metálicas ou laje nova apoiada em pilares independentes.

Se a casa tem telhado sem laje, o telhado é removido e uma laje pré-moldada treliçada é montada no lugar. Custo: R$ 110 a R$ 180 por m² (SINAPI, SP, janeiro/2026). A treliçada com EPS (isopor) é a mais usada por ser leve — 180 a 250 kg/m² contra 300 a 350 kg/m² da maciça.

Puxadinho lateral: a ampliação mais comum do Brasil

O puxadinho lateral é a forma como a maioria dos brasileiros amplia a casa. É a cozinha que avança sobre o corredor, o quarto que nasce onde era a garagem, a lavanderia que empurra o muro de fundos. O nome é informal, mas a obra não pode ser.

O que funciona melhor num puxadinho

  • Ampliar a cozinha. A demanda mais comum. O corredor lateral vira extensão da cozinha com bancada, armários e, às vezes, uma ilha. Custo médio para 8 a 12 m²: R$ 12.000 a R$ 22.000 (inclui elétrica e hidráulica da pia).
  • Criar lavanderia externa. Quando a máquina de lavar divide espaço com a cozinha, mover a lavanderia para um puxadinho de 4 a 6 m² custa entre R$ 6.000 e R$ 12.000 e libera espaço na cozinha.
  • Quarto extra. Um quarto de 10 a 12 m² no térreo, com janela para ventilação natural, custa entre R$ 15.000 e R$ 22.000. Se incluir banheiro (suíte), some R$ 8.000 a R$ 14.000 pela hidráulica, impermeabilização e revestimento.
  • Sala ampliada. Empurrar a parede lateral da sala para fora ganha 6 a 10 m² de área útil por R$ 9.000 a R$ 18.000.

Demolir a parede entre o novo e o existente

Na maioria das ampliações laterais, a parede da casa que dá para o corredor é removida para integrar os ambientes. Essa parede pode ser estrutural ou de vedação — e a diferença muda tudo.

Parede de vedação (apenas separa ambientes): pode ser demolida sem reforço. Custo da demolição: R$ 180 a R$ 400 para parede de 6 m². O que encarece é igualar piso, forro e pintura na transição.

Parede estrutural (sustenta laje ou telhado): não pode ser removida sem instalar viga metálica ou de concreto no lugar. A viga transfere a carga para os pilares laterais. Custo da viga metálica + instalação: R$ 2.000 a R$ 6.000, dependendo do vão. Precisa de projeto de engenheiro civil com ART.

Na dúvida, peça a planta estrutural da casa. Se não existir (80% das casas brasileiras), o engenheiro avalia in loco.

As 9 etapas da ampliação

A obra segue uma sequência lógica. Inverter etapas gera retrabalho, desperdício e infiltração. A sequência correta para um puxadinho lateral:

1. Projeto e aprovação. Contrate arquiteto ou engenheiro. Elabore o projeto. Recolha ART/RRT. Protocole o alvará na prefeitura. Não quebre parede antes da aprovação — o fiscal pode embargar.

2. Preparação. Desmonte o que está no caminho: muro, calçada lateral, tubulação exposta. Proteja a casa existente com lona nos pontos de abertura. Desvie tubulações de água e esgoto que passam pelo caminho da ampliação.

3. Fundação. Execute a fundação da área nova — radier para puxadinho térreo leve, sapata corrida para carga maior. Mantenha a junta de dilatação entre a fundação nova e a existente. Custo do radier: R$ 110 a R$ 140 por m² (SINAPI, SP, janeiro/2026).

4. Estrutura. Levante pilares e vigas da área nova. Os pilares são concretados com formas de madeira e armadura de aço. A junta de dilatação entre a estrutura nova e a parede existente é mantida com 2 a 5 cm de folga.

5. Alvenaria. Suba as paredes com bloco cerâmico ou bloco de concreto. Instale vergas e contravergas sobre todos os vãos de portas e janelas — omitir verga é receita para trinca diagonal. Custo da alvenaria completa: R$ 75 a R$ 95 por m² de parede (SINAPI 103335, SP, janeiro/2026).

6. Cobertura. Monte telhado ou execute laje sobre a área nova. Se o telhado da ampliação vai encontrar o telhado existente, o rufo metálico na junção é obrigatório para impedir infiltração. Detalhe que pedreiro genérico costuma errar.

7. Instalações. Eletricista e encanador passam eletrodutos, fios e tubulação hidráulica antes de rebocar. Teste a hidráulica sob pressão antes de fechar as paredes. Se a ampliação inclui banheiro ou cozinha, a instalação se conecta à rede existente da casa — verifique se o diâmetro da tubulação suporta os novos pontos. Veja reforma elétrica completa e reforma hidráulica completa.

8. Acabamento. Reboco, contrapiso (se não for radier aparente), piso, revestimento de áreas molhadas, pintura, esquadrias, louças e metais. Iguale o piso da área nova com o da casa existente — a transição mal feita denuncia o puxadinho.

9. Regularização e entrega. Peça vistoria da prefeitura. Obtenha o habite-se da ampliação. Averbe a nova área na matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis. Sem averbação, a ampliação não existe oficialmente — e isso trava venda, financiamento e inventário.

O prazo total para um puxadinho de 20 m² é de 30 a 60 dias úteis. A etapa mais demorada é o acabamento, que depende de prazos de entrega de materiais e disponibilidade de azulejista e pintor.

Erros que encarecem a ampliação (e como evitar)

Depois de acompanhar dezenas de ampliações residenciais, esses são os erros que mais se repetem e mais custam caro:

Ampliar sem alvará. O “puxadinho” é a construção irregular mais comum no Brasil. A Lei do Puxadinho facilitou a regularização em alguns municípios, mas construir sem alvará continua sendo infração — multa de até 150%, embargo e demolição. O alvará custa R$ 300 a R$ 500. Veja os riscos em reforma sem autorização.

Não fazer junta de dilatação. A trinca entre a construção nova e a existente é a marca do puxadinho mal feito. A junta custa menos de R$ 200 e evita prejuízo de milhares.

Subir segundo andar sem laudo. Empreiteiro que diz “aguenta tranquilo” sem laudo está chutando. O laudo custa R$ 1.500 a R$ 4.000 e pode revelar R$ 15 mil em reforço necessário.

Ignorar a taxa de ocupação. Ampliação que ultrapassa a TO não obtém alvará. Verifique antes de definir o tamanho.

Economizar na conexão do telhado. A junção entre telhado novo e existente é o ponto mais vulnerável a infiltração. Sem rufo metálico, a água entra pela fresta. Conserto: R$ 800 a R$ 3.000 — dez vezes o preço de fazer certo na hora.

Não atualizar a elétrica. O quadro elétrico foi dimensionado para a carga original. Adicionar 20 m² com chuveiro e ar-condicionado pode sobrecarregar o circuito. Peça ao eletricista para avaliar se o quadro suporta a carga adicional. Ampliação do quadro: R$ 1.500 a R$ 3.500.

Contratar sem contrato. Firme contrato por escrito com escopo, prazo, pagamento (30% início, 40% meio, 30% entrega) e garantia de 12 meses. O Código de Defesa do Consumidor protege você — mas só com prova documental. Dicas em como contratar MEI para reforma.

Como regularizar a ampliação depois

Se a ampliação já foi feita sem alvará, é possível regularizar. O processo é burocrático, mas desbloqueia venda, financiamento e inventário.

Passo a passo da regularização

  1. Contrate arquiteto ou engenheiro. O profissional faz o levantamento “as built” da casa com a ampliação.
  2. Verifique conformidade. A ampliação precisa respeitar recuos, TO e código de obras. Se não respeita, pode ser necessário adequar.
  3. Protocole o projeto na prefeitura. Com ART ou RRT.
  4. Pague multa e taxas. Multa de R$ 500 a R$ 5.000 + taxa de alvará + ISS.
  5. Obtenha habite-se. Após aprovação e vistoria da prefeitura.
  6. Averbe no cartório. Com o habite-se, averbe a nova área na matrícula. Custo: R$ 500 a R$ 2.000.

O custo total da regularização fica entre R$ 4.000 e R$ 12.000. Parece muito? Sem regularização, o banco não financia, o comprador descobre que a área real não bate com a matrícula e o negócio trava. Veja detalhes em como regularizar imóvel.

Perguntas frequentes

Quanto custa ampliar a casa por m²? Depende do tipo de ampliação. Puxadinho lateral: R$ 1.200 a R$ 1.800/m². Segundo andar: R$ 1.500 a R$ 2.500/m². Edícula nos fundos: R$ 600 a R$ 1.100/m². Valores para São Paulo, acabamento médio, com base no SINAPI e CUB de janeiro/2026.

Preciso de engenheiro para ampliar a casa? Toda ampliação precisa de responsável técnico — arquiteto (RRT no CAU) ou engenheiro civil (ART no CREA). Para segundo andar, engenheiro é obrigatório pelo cálculo estrutural.

Posso ampliar a casa sem alvará? Ampliação sem alvará é obra irregular: multa de até 150% do valor da obra, embargo e impossibilidade de averbar na matrícula.

Quanto tempo demora para ampliar a casa? Puxadinho lateral de 20 m²: 30 a 60 dias úteis. Segundo andar: 60 a 120 dias úteis. Sem contar o prazo do alvará (30 a 90 dias).

Puxadinho ou segundo andar: o que é melhor? Se tem espaço no terreno e a taxa de ocupação permite, o puxadinho é mais barato e rápido. Se o terreno está no limite, o segundo andar é a única opção — mas custa 30% a 60% mais.

Ampliar a casa valoriza o imóvel? Sim, desde que regularizada (alvará + habite-se + averbação). Imóveis com ampliações regularizadas valem de 15% a 25% mais que imóveis sem regularização. Ampliação irregular dificulta venda e impede financiamento.

A ampliação precisa de habite-se? Sim. Toda construção que altera a área do imóvel precisa de habite-se e averbação na matrícula. Sem esses documentos, a ampliação não existe oficialmente para compra, venda, financiamento ou inventário.

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