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profissional 9 min de leitura

Quanto ganha um eletricista em 2026: salário CLT, renda de autônomo, piso por estado e especialidades que pagam mais

Eletricista CLT ganha de R$ 2.300 a R$ 4.500 em 2026. Autônomo fatura R$ 4.500-R$ 8.000/mês. Veja faixa por experiência, piso por estado e especialidades.

RF

Rodrigo Freitas

Engenheiro Eletricista (UNESP)

Eletricista brasileiro com capacete e ferramentas conferindo instalação em quadro de distribuição de obra residencial em São Paulo
Especialização e certificação NR-10 são os dois atalhos mais rápidos para um eletricista dobrar o salário no Brasil

Se você é eletricista ou está pensando em entrar na área, a resposta curta: quanto ganha um eletricista no Brasil em 2026 depende do regime de trabalho. Na CLT, a mediana nacional é de R$ 2.400/mês (CBO 7156-10, dados CAGED 2025 via Salário.com.br). O piso fica em torno de R$ 1.700 e o teto bate R$ 4.100 para quem tem mais experiência. Já o eletricista autônomo fatura entre R$ 4.500 e R$ 8.000 por mês — mas sem FGTS, sem 13o e sem férias remuneradas.

A diferença entre ganhar R$ 2.000 e ganhar R$ 8.000 nessa profissão se resume a três coisas: especialidade, certificações e regime de trabalho. Saber quanto ganha um eletricista em cada cenário ajuda você a negociar melhor — ou a escolher a especialidade certa antes de investir em cursos.

Salário médio do eletricista CLT em 2026

O eletricista de instalações em edifícios (CBO 715610) que trabalha com carteira assinada ganha em média R$ 2.528 por mês para uma jornada de 44 horas semanais, segundo dados dos últimos 12 meses do CAGED compilados pelo Salário.com.br. O piso salarial mínimo registrado é de R$ 2.460 e o teto chega a R$ 3.843.

Esses valores consideram apenas o salário-base anotado em carteira. Não entram horas extras, adicional noturno, periculosidade, insalubridade nem gratificações. Um eletricista CLT que recebe adicional de periculosidade (30% sobre o salário-base, conforme o artigo 193 da CLT) pode ter a remuneração total bem acima desse teto.

Na prática, a maioria dos eletricistas residenciais CLT no Brasil ganha entre R$ 2.200 e R$ 3.500. Quem está na faixa de R$ 4.000+ geralmente atua em indústria, grandes construtoras ou empresas de energia. Um mestre de obras com experiência elétrica pode chegar a R$ 6.000, mas aí já estamos falando de gestão de equipe, não de execução.

Faixa salarial por nível de experiência

O CAGED divide os profissionais em três níveis com base no tempo de carteira e na função exercida. Os números do eletricista de instalações ficam assim:

Salário médio do eletricista por nível de experiência — dados CAGED 2025
Nível Experiência Salário médio
Nível I (júnior) Até 4 anos R$ 2.308
Nível II (pleno) 4 a 8 anos R$ 3.080
Nível III (sênior) 8+ anos R$ 3.979

A diferença entre júnior e sênior é de R$ 1.671 por mês — quase R$ 20 mil a mais por ano. Um eletricista que começou como ajudante ganhando salário mínimo e foi tirando certificações ao longo dos anos chega a nível III por volta dos 30 e poucos anos de idade, se entrou cedo na profissão. A progressão não é automática: depende de trocar de empresa, acumular cursos e provar competência técnica em campo.

O Glassdoor mostra uma faixa semelhante: R$ 1.670 para iniciante, R$ 2.140 para meio de carreira e R$ 3.370 para sênior com 10 a 20 anos (fev/2026).

Piso salarial por estado — o que diz o dissídio

O piso salarial do eletricista não é fixado por lei federal. Quem define é a convenção coletiva do sindicato da categoria em cada estado ou região. O dissídio de 2025 aplicou reajuste de 6% (INPC) na maioria das negociações.

Alguns exemplos de piso registrado:

Piso salarial do eletricista por estado — convenções coletivas 2025
Estado Piso mensal Jornada
São Paulo (capital) R$ 2.749 43h/semana
Paraná R$ 2.745 43h/semana
Rio de Janeiro Definido pela SINTRAINDISTAL 44h/semana

Em 2026, a faixa geral de piso para eletricistas no Brasil fica entre R$ 2.536 e R$ 4.777, dependendo da especialidade e da região (Salário.com.br, 2026).

Os estados com melhores salários médios são São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Isso reflete a concentração de indústria e construção civil nessas regiões, que puxam a demanda e o preço da mão de obra.

Gráfico de barras horizontais comparando o salário mediano do eletricista por região do Brasil: Sudeste R$ 2.688, Sul R$ 2.568, Centro-Oeste R$ 2.400, Norte R$ 2.160 e Nordeste R$ 2.040
Diferença salarial entre Sudeste e Nordeste chega a R$ 648/mês — quase R$ 8 mil a menos por ano (dados CAGED 2025)

Eletricista autônomo vs CLT vs MEI — quem ganha mais

Quanto ganha um eletricista depende muito do regime de trabalho. A conta não é tão simples quanto “autônomo ganha o dobro”. Veja a comparação real:

O eletricista CLT ganha entre R$ 2.200 e R$ 4.800 por mês, com FGTS (8% do salário depositado todo mês), 13o salário, férias remuneradas com 1/3 adicional e INSS descontado direto na folha. Num salário de R$ 5.000, o desconto de INSS é de aproximadamente R$ 500.

O eletricista autônomo fatura entre R$ 4.500 e R$ 8.000 por mês quando tem carteira de clientes formada. Não tem FGTS nem 13o. Precisa se organizar para pagar INSS por conta própria, reservar dinheiro para meses fracos e bancar ferramentas e deslocamento.

O eletricista MEI (Microempreendedor Individual, CNAE 4321-5/00) paga DAS fixo de R$ 82 a R$ 87 por mês, emite nota fiscal e tem cobertura do INSS. O limite de faturamento é de R$ 81 mil por ano — R$ 6.750/mês na média. Se você fatura mais que isso de forma recorrente, precisa migrar para ME (Microempresa).

Minha posição: o eletricista autônomo com NR-10 atualizada, boas ferramentas e presença em redes sociais ganha mais que o CLT na maioria dos cenários. Mas sem planejamento financeiro, o autônomo que fatura R$ 7.000 e gasta tudo no mês está numa posição mais frágil que o CLT que ganha R$ 3.500 com FGTS acumulando. Se for trabalhar como MEI na reforma, formalize — emitir nota fiscal e ter contrato assinado abre portas que o bico não abre. Construtoras e empreiteiros preferem subcontratar quem tem CNPJ ativo.

Especialidades que pagam mais

Quanto ganha um eletricista muda radicalmente conforme a especialidade. A área de atuação define o teto salarial da profissão. Estas são as que pagam mais em 2026:

Eletricista industrial — Quem atua em fábricas, com comandos elétricos, motores trifásicos e automação de máquinas ganha entre R$ 2.800 e R$ 4.700 por mês na CLT. O piso para manutenção industrial em 2026 é de R$ 2.837, com teto de R$ 4.777 (Salário.com.br). A demanda técnica é maior: envolve alta tensão, painéis de controle e protocolos de segurança rigorosos (NR-18, NR-35).

Eletricista de energia solar — O mercado fotovoltaico está com falta de profissionais qualificados. Um instalador CLT ganha entre R$ 2.000 e R$ 3.000 por mês. O autônomo lucra cerca de R$ 2.000 por instalação residencial. Quem monta o próprio negócio — vendendo e instalando — pode faturar até R$ 15.000/mês, segundo dados do Grupo E4 e SolFácil (2025). É a especialidade com maior potencial de escala hoje.

Eletricista de alta tensão — Atua em subestações, linhas de transmissão e distribuição. O salário-base não é necessariamente o mais alto, mas o adicional de periculosidade de 30% sobre o salário-base (CLT, artigo 193) faz a diferença. Um profissional com base de R$ 3.000 recebe R$ 900 de adicional, totalizando R$ 3.900.

Técnico em eletrotécnica — Com formação técnica de nível médio, o salário médio salta para R$ 3.695 por mês (Quero Bolsa, 2025). A formação técnica é o divisor de águas entre o eletricista prático e o profissional que assina projetos.

Automação residencial — Mercado em crescimento acelerado: casas inteligentes, assistentes de voz, fechaduras digitais, iluminação automatizada. Ainda não há dados consolidados de salário no CAGED, mas profissionais com essa especialidade cobram diárias de R$ 400 a R$ 800 em capitais do Sudeste.

Ranking de faixa salarial por especialidade do eletricista: automação R$ 4.000-R$ 8.000, energia solar autônomo R$ 5.000-R$ 15.000, industrial R$ 2.800-R$ 4.700, alta tensão com periculosidade R$ 3.250-R$ 5.500, residencial CLT R$ 2.200-R$ 3.500
Energia solar e automação são as especialidades com maior potencial de ganho para eletricistas em 2026

Como aumentar seus ganhos como eletricista

Certificação não é gasto. É investimento com retorno mensurável. Segundo pesquisa da Catho (2025), qualificação profissional pode aumentar o salário em até 118%. Para eletricistas, os certificados que mais movem a agulha são:

A NR-10 (Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade) é obrigatória para qualquer eletricista que trabalhe com eletricidade. São 40 horas de curso com validade de 2 anos. Sem NR-10, você não consegue vaga em construtora, indústria nem empresa de manutenção predial. O custo do curso varia de R$ 200 a R$ 500 — se paga no primeiro mês de trabalho.

A NR-35 (Trabalho em Altura) tem 8 horas de duração e abre o mercado predial, industrial e de energia solar. Eletricista com NR-10 + NR-35 concorre a vagas que pagam de 20% a 30% a mais que as posições sem essas certificações.

O curso técnico em eletrotécnica é o salto de carreira mais significativo. Com duração de 1,5 a 2 anos, o técnico tem salário médio de R$ 3.695 (Quero Bolsa, 2025) — 54% a mais que o eletricista sem formação técnica. Além disso, pode assinar projetos elétricos em conformidade com a NBR 5410.

A certificação em energia solar é o bilhete de entrada para o mercado que mais cresce no setor elétrico brasileiro. A ABSOLAR estima que a geração distribuída vai continuar expandindo nos próximos anos, e a escassez de instaladores qualificados pressiona os salários para cima.

Quem já tem experiência e quer aumentar a renda sem mudar de emprego: procure cursos de automação predial, comandos elétricos e leitura de projetos. São competências que diferenciam o eletricista que cobra R$ 250 a diária do que cobra R$ 600.

O mercado em 2026 — vale a pena ser eletricista?

Os números dizem que sim. A construção civil criou 214.717 empregos formais em 2025, segundo o CAGED. O SENAI aponta o setor elétrico entre os que mais demandam técnicos no país. E a expansão da energia solar fotovoltaica criou uma demanda que ainda não tem profissionais suficientes para atender.

Mas tem um lado que precisa ser dito: eletricidade mata. O Brasil registrou 759 mortes por acidentes elétricos em 2024, segundo a Abracopel — recorde da série histórica. Foram 2.373 acidentes no total, 11,6% a mais que em 2023. As residências são os locais mais perigosos: 295 ocorrências domésticas com 248 mortes.

Esses números reforçam duas coisas. Primeiro, que o mercado precisa urgentemente de eletricistas qualificados com registro no CREA ou certificação técnica — os acidentes acontecem, em grande parte, por instalações feitas por profissionais sem preparo. Segundo, que investir em segurança (NR-10, EPI, atualização técnica) não é frescura. É o que separa o profissional que trabalha 30 anos do que vira estatística.

Se alguém perguntar quanto ganha um eletricista qualificado em 2026, a resposta é: o suficiente para viver bem. Eletricista com NR-10, NR-35, curso técnico e experiência em energia solar não fica sem trabalho. A questão não é se tem vaga — é quantas vagas você vai recusar.

Se quer saber quanto o mercado cobra pelo seu serviço, temos uma tabela completa com 10 serviços elétricos e valores SINAPI atualizados. Para calcular custos de projeto, use a calculadora de serviços elétricos.

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