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Reforma de Telhado: Guia Completo com Custos por m², Tipos de Telha e Etapas em 2026

Reforma de telhado custa de R$ 150 a R$ 275 por m² com estrutura e telha em SP. Veja etapas, tipos de telha, calha, rufo e erros que encarecem a obra.

RF

Rodrigo Freitas

Engenheiro Eletricista (UNESP)

Trabalhador brasileiro com cinto de segurança substituindo telhas cerâmicas em telhado residencial em São Paulo, estrutura de madeira exposta com telhas novas e antigas lado a lado, manta impermeabilizante visível, luz da tarde projetando sombras sobre o telhado
Trocar só a telha quebrada sem avaliar a estrutura por baixo é o erro que transforma conserto de R$ 3 mil em reforma de R$ 25 mil

Você ouve o barulho da chuva e, segundos depois, a gota cai no balde que já mora no canto da sala há três temporadas. A mancha no forro cresceu de novo. A calha transborda pela lateral e a água escorre pela parede externa. Se essa rotina parece familiar, o telhado já passou do ponto de um reparo pontual. A questão não é mais se precisa de reforma. A questão é o tamanho da intervenção e quanto vai custar.

A reforma completa de telhado em São Paulo custa entre R$ 150 e R$ 275 por m² considerando demolição do telhado antigo, estrutura de madeira nova, telha cerâmica colonial, calha, rufo e impermeabilização. Numa casa de 100 m² de projeção, o valor total fica entre R$ 15.000 e R$ 27.500 (SINAPI, SP, janeiro/2026). Parece muito? Compare com o custo de não fazer: infiltração crônica apodrece forro, compromete a laje, mancha paredes e cria mofo que afeta a saúde de quem mora na casa.

Este guia mostra como identificar se o telhado precisa de reforma parcial ou total, compara os 5 tipos de telha mais usados no Brasil, detalha cada etapa da obra e apresenta os custos reais da tabela SINAPI de janeiro/2026.

7 sinais de que o telhado precisa de reforma

Nem toda goteira exige trocar o telhado inteiro. Mas alguns sinais indicam que o problema vai além de uma telha quebrada. Se o telhado da casa apresentar dois ou mais desses sintomas, a reforma é necessária — e adiar só aumenta o custo.

1. Goteiras recorrentes no mesmo ponto. Goteira que volta depois de trocar a telha indica problema na estrutura por baixo: ripa solta, caibro empenado ou viga flexionada que abre espaço entre as telhas.

2. Telhas quebradas em mais de 20% da área. Até 10% de telhas quebradas, o reparo pontual resolve. Acima de 20%, o custo de trocar uma a uma se aproxima do custo de refazer o telhamento inteiro — e o resultado fica melhor.

3. Pó de cupim na madeira. O pó fino e claro perto de vigas, caibros ou terças é sinal de cupim de madeira seca. Madeira atacada por cupim perde resistência estrutural e pode colapsar sem aviso. Não basta matar o cupim — a madeira comprometida precisa ser substituída.

4. Estrutura de madeira flexionada. Se o telhado “abateu” — a cumeeira cedeu, o beiral desceu — a estrutura está deformada. Pedreiro genérico não resolve problema estrutural em telhado. Precisa de mestre de obras experiente ou engenheiro civil.

5. Calha e rufo enferrujados ou soltos. Calha com ferrugem vaza. Rufo solto deixa a água entrar na junção entre telhado e parede. E a infiltração por rufo é a mais destrutiva porque atinge a alvenaria por dentro.

6. Manchas de umidade no forro ou na laje. Mancha amarelada ou escura no teto é infiltração ativa. Se aparece em dias de chuva e some em dias secos, a água está entrando pelo telhado. Se é permanente, o dano já atingiu a laje.

7. Telhado com mais de 25 anos sem manutenção. Estrutura de madeira não tratada em autoclave tem vida útil de 20 a 30 anos. Depois desse prazo, mesmo sem sinais visíveis, a madeira pode estar enfraquecida internamente. Uma inspeção técnica a cada 5 anos é o mínimo para telhados com mais de 15 anos.

Tipos de telha: qual escolher na reforma

A escolha da telha define o custo do telhado, o peso sobre a estrutura, a inclinação mínima necessária e a frequência de manutenção. Os 5 tipos mais usados no Brasil:

Cerâmica (colonial, romana, portuguesa)

A mais tradicional do Brasil. Feita de barro queimado, oferece isolamento térmico e acústico naturais. A colonial exige 24 peças por m² e pesa 60 kg/m². A romana usa 16 peças/m² (40 kg/m²). A portuguesa é similar à romana, com encaixe diferente.

  • Custo (SINAPI 90210, SP): R$ 71 por m² (material + mão de obra)
  • Durabilidade: 30 a 50 anos com manutenção
  • Inclinação mínima: 35%
  • Melhor para: reformas que mantêm o estilo da casa, casas térreas e sobrados com estrutura dimensionada para o peso

A desvantagem é o peso. Estrutura de madeira para telhado cerâmico precisa ser mais robusta (e cara) do que para telha metálica.

Concreto

Mais pesada que a cerâmica (48 kg/m²), mas oferece maior impermeabilidade e variedade de cores. Não desbota e dispensa hidrofugante nos primeiros anos.

  • Custo: R$ 77 por m² (estimativa mercado, SP)
  • Durabilidade: 40 a 50 anos
  • Inclinação mínima: 30%
  • Melhor para: casas com estrutura reforçada que buscam durabilidade máxima e menos manutenção

Metálica galvanizada

Chapas de aço galvanizado ou galvalume. Pesam apenas 5 kg/m² — 12 vezes menos que a cerâmica colonial. A instalação é rápida porque cada chapa cobre vários metros quadrados de uma vez. O problema: conduz calor e ruído. Sem manta subcobertura térmica, a casa vira forno no verão.

  • Custo (SINAPI 90220, SP): R$ 86 por m² (material + mão de obra)
  • Durabilidade: 25 a 40 anos
  • Inclinação mínima: 5%
  • Melhor para: telhados com baixa inclinação, estruturas que não suportam peso de cerâmica, galpões e edículas

Veja a comparação detalhada em telhado cerâmico vs metálico.

Fibrocimento (sem amianto)

A opção mais barata do mercado. As telhas de fibrocimento fabricadas após 2005 no Brasil usam fibras sintéticas (CRFS) e não contêm amianto. São leves (15 kg/m²) e fáceis de instalar, mas têm durabilidade menor e menor conforto térmico.

  • Custo (SINAPI 90215, SP): R$ 54 por m² (material + mão de obra)
  • Durabilidade: 15 a 25 anos
  • Inclinação mínima: 9%
  • Melhor para: construções econômicas, edículas, áreas de serviço e coberturas provisórias

Se a casa tem telha de fibrocimento anterior a 2005, pode conter amianto. Não quebre, não fure, não lixe. A remoção exige empresa especializada com licença ambiental. Veja mais em reformar casa antiga.

Shingle (asfáltica)

Telha plana feita de manta asfáltica com grânulos minerais. Estética moderna, leve (10 kg/m²) e flexível — adapta-se a telhados curvos e de baixa inclinação. É o padrão nos Estados Unidos, mas ainda pouco comum no Brasil, o que encarece o material.

  • Custo: R$ 120 a R$ 150 por m² (mercado, SP)
  • Durabilidade: 20 a 30 anos
  • Inclinação mínima: 20%
  • Melhor para: projetos arquitetônicos modernos com telhado aparente e inclinação suave

A instalação exige base rígida de compensado ou OSB sobre a estrutura — custo adicional de R$ 40 a R$ 60 por m² de base.

Tabela comparativa dos cinco tipos de telha mais usados no Brasil — cerâmica colonial, concreto, metálica galvanizada, fibrocimento e shingle — com custo por m², durabilidade, peso, inclinação mínima e peças por m², baseada em dados SINAPI SP janeiro de 2026
A telha mais barata por m² nem sempre é a mais econômica no longo prazo — fibrocimento custa metade da cerâmica, mas dura metade do tempo (SINAPI, SP, jan/2026)

Estrutura de madeira vs metálica: o que sustenta a telha

A estrutura do telhado (terças, caibros, ripas e tesouras) custa mais que a própria telha na maioria dos casos. É o item que mais pesa no orçamento da reforma.

Madeira

A estrutura de madeira é a mais usada em residências no Brasil. O custo no SINAPI (código 90200) para São Paulo é de R$ 97 por m² (material + mão de obra, janeiro/2026), incluindo terças, caibros, ripas e cumeeira.

Madeiras indicadas para telhado: garapeira, maçaranduba, itaúba e cumaru — naturalmente resistentes a cupim. Madeiras tratadas em autoclave (pinus ou eucalipto) são alternativa mais barata, com custo 30% a 40% menor, mas exigem retratamento a cada 5 a 8 anos.

A desvantagem: madeira é suscetível a cupim, apodrecimento e deformação por umidade. Sem tratamento, a vida útil é de 20 a 30 anos. Com tratamento e espécies resistentes, chega a 40 anos ou mais. O dimensionamento segue a NBR 7190 da ABNT.

Metálica (aço galvanizado)

Perfis de aço galvanizado leve (steel frame) ou metalon. O custo fica entre R$ 100 e R$ 150 por m² dependendo do vão e da complexidade. Sem código SINAPI residencial padronizado — orçamento por projeto.

A vantagem: não sofre com cupim, não apodrece, não deforma com umidade. Manutenção quase zero. A vida útil passa de 50 anos. A desvantagem: conduz calor (exige manta térmica), conduz ruído (chuva forte é barulhenta) e o custo inicial é 10% a 50% maior que o da madeira.

Para reformas que substituem estrutura comprometida por cupim, trocar madeira por metal elimina o risco de reincidência. O tratamento de solo contra cupim custa entre R$ 800 e R$ 2.500 para uma casa de 100 m² — mas com estrutura metálica, não é necessário.

Calha, rufo e cumeeira: os detalhes que evitam infiltração

A telha cobre o telhado. Mas quem impede a infiltração nos pontos críticos são os acessórios: calha, rufo e cumeeira. Ignorar esses itens na reforma é receita para goteira em menos de um ano.

Calha

Responsável por captar e direcionar a água da chuva para longe da parede. Sem calha funcional, a água escorre pelo beiral e atinge a fachada, causando manchas, mofo e infiltração na alvenaria.

  • Custo (SINAPI 90230, SP): R$ 39 por metro linear (PVC 125mm, incluindo suportes)
  • Manutenção: limpeza a cada 6 meses (folhas e sujeira entopem a calha) e substituição a cada 8 a 12 anos (PVC) ou 15 a 20 anos (alumínio)

Para uma casa com 40 metros lineares de calha: R$ 1.560.

Rufo

Peça metálica que veda a junção entre o telhado e a parede (encontro de águas). Sem rufo, a chuva entra pela fresta e infiltra por dentro da parede — o tipo de infiltração mais difícil de diagnosticar e mais caro de consertar.

  • Custo (SINAPI 90232, SP): R$ 45 por metro linear (galvanizado, chapa 0,5mm)
  • Tipos: pingadeira (muro e laje), contrarufo (parede lateral) e rufo externo (encontro telhado-parede)

Para uma casa com 30 metros lineares de rufo: R$ 1.350.

Cumeeira

Peça que cobre a junção entre as águas do telhado, no ponto mais alto. Sem vedação adequada na cumeeira, a água entra pelo topo e desce pela estrutura interna.

  • Custo (SINAPI 90218, SP): R$ 33 por metro linear (cerâmica colonial com argamassa)
  • Para 30 metros lineares: R$ 990

Calha + rufo + cumeeira somam cerca de R$ 4.000 para uma casa de 100 m². Parece muito para “acessórios”? O conserto de uma infiltração por rufo solto custa de R$ 1.500 a R$ 5.000 — sem contar o dano à pintura e ao forro.

Impermeabilização: a camada que ninguém vê

Se a casa tem laje sob o telhado, a impermeabilização da laje é obrigatória — mesmo que o telhado seja novo. Telha protege contra chuva direta. Mas condensação, respingo lateral e micro-vazamentos passam pela telha e atingem a laje.

Manta asfáltica (laje coberta)

A impermeabilização padrão para lajes sob telhado é a manta asfáltica de 3mm com primer betuminoso. O custo no SINAPI (código 90762) para SP é de R$ 73 por m² (material + mão de obra). Para 50 m² de laje coberta: R$ 3.650.

A manta precisa de proteção mecânica (argamassa sobre a manta) se haverá trânsito sobre a laje — como laje acessível para manutenção do telhado. Sem proteção, a manta rasga com facilidade.

Manta subcobertura (sob a telha)

Manta de alumínio ou polietileno instalada sobre a estrutura, entre os caibros e as telhas. Funciona como barreira secundária contra água e como isolante térmico. Não é obrigatória, mas recomendada para regiões com chuva forte e variação térmica alta.

  • Custo: R$ 8 a R$ 15 por m² (mercado, SP)
  • Para 100 m² de telhado: R$ 800 a R$ 1.500

A manta subcobertura é especialmente útil em telhados metálicos, onde reduz a transmissão de calor e o barulho da chuva.

Veja mais sobre opções de impermeabilização em quanto custa impermeabilização e manta vs impermeabilizante líquido.

Quanto custa a reforma de telhado em 2026

O custo total depende de três fatores: o tipo de telha, o estado da estrutura existente e a área do telhado. A tabela abaixo usa dados SINAPI de janeiro/2026 para São Paulo e considera reforma completa (demolição + estrutura + telha + acessórios).

Por tipo de reforma

Tipo de reformaCusto por m² (SP)Casa 80 m²Casa 100 m²Casa 150 m²
Troca só de telhas (estrutura OK)R$ 54 – R$ 120R$ 4.320 – R$ 9.600R$ 5.400 – R$ 12.000R$ 8.100 – R$ 18.000
Troca de telhas + calha + rufoR$ 80 – R$ 150R$ 6.400 – R$ 12.000R$ 8.000 – R$ 15.000R$ 12.000 – R$ 22.500
Reforma completa (estrutura + telha + acessórios)R$ 150 – R$ 275R$ 12.000 – R$ 22.000R$ 15.000 – R$ 27.500R$ 22.500 – R$ 41.250

Por fase da obra (reforma completa, casa 100 m², cerâmica colonial)

FaseCódigo SINAPICusto estimado% do total
Demolição do telhado antigo73894R$ 2.0067%
Estrutura de madeira nova90200R$ 9.67635%
Telha cerâmica colonial90210R$ 7.08026%
Cumeeira cerâmica (30 m)90218R$ 9904%
Calha PVC 125mm (40 m)90230R$ 1.5586%
Rufo metálico (30 m)90232R$ 1.3455%
Impermeabilização manta 3mm (50 m²)90762R$ 3.65813%
Andaime tubular (aluguel 10 dias)R$ 1.2004%
Total estimadoR$ 27.513100%

Fonte: SINAPI, SP, janeiro/2026. Casa de 100 m² de projeção, telhado de 2 águas, cerâmica colonial, estrutura de madeira nova, 30 m de rufo, 40 m de calha, 50 m² de laje impermeabilizada.

Gráfico de barras horizontais mostrando o custo de cada fase da reforma completa de telhado para casa de 100 m² em São Paulo: demolição R$ 2.006, estrutura de madeira R$ 9.676, telha cerâmica R$ 7.080, cumeeira R$ 990, calha R$ 1.558, rufo R$ 1.345, impermeabilização R$ 3.658, andaime R$ 1.200 — total R$ 27.513
A estrutura de madeira sozinha representa 35% do custo total — e é o item que determina a durabilidade de todo o telhado (SINAPI, SP, jan/2026)

Para outros estados, aplique o multiplicador regional SINAPI: Rio de Janeiro (×1,13), Minas Gerais (×1,00), Rio Grande do Sul (×1,08), Bahia (×0,93), Ceará (×0,91). Uma reforma que custa R$ 27.500 em SP sai em torno de R$ 23.300 em MG.

As 8 etapas da reforma de telhado

A sequência correta evita retrabalho, desperdício e infiltração durante a obra. Inverter etapas — como impermeabilizar antes de resolver a estrutura — é jogar dinheiro fora.

1. Inspeção e planejamento

Antes de subir no telhado, defina o escopo. Se a casa tem mais de 25 anos ou apresenta sinais estruturais (flexão, cupim, telhas estilhaçadas), contrate um engenheiro civil para emitir laudo técnico. O laudo custa entre R$ 1.200 e R$ 3.000 e define se a reforma é parcial (só telhas) ou total (estrutura + telhas). Veja mais em laudo técnico para reforma.

2. Montagem de andaime e proteção

Qualquer serviço acima de 2 metros é trabalho em altura pela NR-35. O andaime tubular é obrigatório para casas de dois pavimentos e recomendado para térreos com telhado alto. Aluguel: R$ 800 a R$ 1.500 por semana. Cubra móveis e pisos internos com lona — a demolição do telhado gera muita poeira e entulho.

3. Demolição do telhado antigo

Retire as telhas uma a uma (se forem reaproveitáveis) ou em lote. Remova ripas, caibros e terças comprometidos. Se a estrutura inteira precisa ser substituída, desmonte de cima para baixo: telhas, ripas, caibros, terças, tesouras. Custo da demolição (SINAPI 73894): R$ 20 por m² em SP. Para 100 m²: R$ 2.000.

Telhas de fibrocimento anteriores a 2005 podem conter amianto. Não quebre. Contrate empresa especializada com licença ambiental para remoção segura.

4. Tratamento contra cupim

Se a estrutura antiga tinha cupim, trate o solo e as paredes antes de instalar a nova estrutura. O tratamento químico do solo custa de R$ 800 a R$ 2.500 para uma casa de 100 m². Sem tratamento, o cupim volta e ataca a madeira nova em menos de 5 anos.

Se a nova estrutura for metálica, o tratamento de solo é dispensável — aço não atrai cupim.

5. Montagem da estrutura

Instale tesouras (ou treliças), terças, caibros e ripas seguindo o projeto. O espaçamento entre ripas depende do tipo de telha (colonial: 34 cm, romana: 36 cm, metálica: sem ripas — fixação direta na terça). O madeiramento deve ser pregado e parafusado — só pregado solta com o tempo.

Se a manta subcobertura fizer parte do projeto, instale nesta etapa, antes das ripas.

6. Instalação das telhas

Comece pelo beiral e suba em direção à cumeeira. Na telha cerâmica, o alinhamento é fundamental — telha desalinhada gera fresta por onde a chuva entra com vento lateral. Na telha metálica, os parafusos auto-atarraxantes devem ter arruela de borracha (vedação). Sem arruela, a água entra pelo furo do parafuso.

7. Calha, rufo e cumeeira

Instale a calha no beiral, com caimento de 1% em direção ao condutor (tubo que leva a água ao chão). Fixe o rufo na junção entre telhado e parede com selante de poliuretano. Assente a cumeeira com argamassa traço 1:4 e verifique a vedação completa. Esses três itens são os que impedem 90% das infiltrações — não economize aqui.

8. Impermeabilização e acabamento

Se a laje existe, aplique a manta asfáltica com primer betuminoso antes de fechar qualquer acabamento. Faça teste de estanqueidade: encha a laje com 5 cm de água e aguarde 72 horas. Se aparecer umidade no teto, refaça o trecho. Finalize com calafetação dos encontros e limpeza geral do telhado.

Inclinação do telhado: o que determina a escolha da telha

A inclinação (caimento) do telhado é definida pelo projeto arquitetônico e pelo tipo de telha. Usar telha com inclinação abaixo do mínimo recomendado pelo fabricante causa acúmulo de água, infiltração e redução da vida útil.

Tipo de telhaInclinação mínimaEm graus
Cerâmica (colonial, romana)35%19°
Concreto30%17°
Shingle (asfáltica)20%11°
Fibrocimento ondulada9%
Metálica trapezoidal5%

Na reforma, a inclinação existente define quais telhas são compatíveis. Se o telhado tem 10% de inclinação (quase plano), as únicas opções são metálica ou fibrocimento. Cerâmica e concreto exigem no mínimo 30%. Mudar a inclinação do telhado existente é possível, mas envolve alterar a altura das paredes de empena — obra de alvenaria que aumenta custo e prazo.

Erros que encarecem a reforma de telhado

Depois de 15 anos acompanhando obras residenciais, esses são os erros que mais se repetem em reforma de telhado — e os mais caros de corrigir.

Trocar telha sem avaliar a estrutura. O morador troca todas as telhas e, 2 anos depois, o telhado abate porque a estrutura de madeira já estava comprometida. A estrutura nova custa R$ 9.700 para 100 m² — somar esse valor ao que já gastou com telha é dobrar o investimento.

Não fazer tratamento contra cupim. Estrutura de madeira nova sobre solo infestado é comida de cupim. O tratamento custa R$ 800 a R$ 2.500. A troca prematura da estrutura custa R$ 9.700 ou mais.

Economizar no rufo e na calha. Calha de PVC barata sem proteção UV resseca e trinca em 3 anos. Rufo improvisado com cimento ao invés de chapa metálica trinca com a movimentação térmica e abre fresta. A economia de R$ 500 vira infiltração de R$ 3.000.

Ignorar a impermeabilização da laje. Se a casa tem laje e o telhado está sobre ela, a laje precisa de manta asfáltica. Condensação e micro-vazamentos passam pela telha e, sem manta, atingem a laje e escorrem para o forro. Custo da manta: R$ 3.650 para 50 m². Custo do reparo de laje infiltrada: R$ 8.000 a R$ 15.000.

Não respeitar a inclinação mínima. Telha cerâmica com inclinação de 15% (quando o mínimo é 35%) acumula água entre as telhas. Resultado: infiltração generalizada que o fabricante não cobre em garantia porque a instalação não seguiu a especificação.

Contratar sem contrato. Reforma de telhado é obra de risco — trabalho em altura, estrutura pesada, materiais caros. Sem contrato com escopo, prazo e garantia mínima de 12 meses, qualquer problema vira prejuízo sem recurso. Dicas de contratação em contratar MEI para reforma e garantia de serviço no CDC.

Segurança na reforma de telhado: NR-18 e NR-35

Reforma de telhado é trabalho em altura — a atividade mais letal da construção civil brasileira. A NR-18 (condições de trabalho na construção civil) e a NR-35 (trabalho em altura) estabelecem obrigações que valem tanto para empresas quanto para profissionais autônomos.

EPI obrigatório: capacete com jugular, cinto de segurança tipo paraquedista, trava-quedas, bota com solado antiderrapante, luvas e óculos de proteção. O conjunto custa de R$ 250 a R$ 500 por trabalhador. Não deixe ninguém subir no telhado sem equipamento completo.

Andaime ou plataforma: todo acesso ao telhado precisa de andaime tubular, escada com degraus antiderrapantes ou plataforma elevada. Escada encostada na parede sem amarração não é equipamento de segurança — é armadilha.

Sinalização e isolamento: a área abaixo do telhado em reforma precisa ser isolada com fita zebrada ou tapume. Telhas, ferramentas e entulho que caem de 4 metros podem matar.

O proprietário do imóvel pode ser responsabilizado judicialmente por acidente de trabalho se contratar profissional sem condições mínimas de segurança. Não é frescura — é lei.

Veja detalhes da norma em NR-35 trabalho em altura.

Perguntas frequentes

Quanto custa reformar o telhado de uma casa? Reforma completa: R$ 150 a R$ 275 por m² em SP (SINAPI, janeiro/2026), incluindo demolição, estrutura, telha cerâmica, calha, rufo e impermeabilização. Para 100 m²: R$ 15.000 a R$ 27.500. Se a estrutura estiver boa e só as telhas precisarem de troca: R$ 54 a R$ 120 por m².

Quando trocar o telhado inteiro? Quando a estrutura tiver cupim, apodrecimento ou flexão. Quando mais de 20% das telhas estiverem quebradas. Quando goteiras forem recorrentes após reparos pontuais. Ou quando o telhado tiver mais de 25 anos sem manutenção.

Qual o melhor tipo de telha para reforma? Depende do orçamento e da estrutura. Cerâmica colonial: R$ 71/m², 30-50 anos. Metálica: R$ 86/m², melhor para telhados de baixa inclinação. Fibrocimento: R$ 54/m², mais barata, dura menos. Comparativo em tipos de telha.

Precisa de ART para reforma de telhado? Toda reforma que envolva alteração de estrutura (troca de tesouras, reforço de vigas, mudança de inclinação) precisa de ART assinada por engenheiro civil registrado no CREA. A ART de execução custa a partir de R$ 120. Veja detalhes em ART: quanto custa e quando a ART é obrigatória.

Quanto tempo dura a reforma de telhado? Troca só de telhas: 3 a 7 dias úteis para 100 m². Reforma completa: 10 a 20 dias úteis. O prazo depende do tamanho da equipe e do clima — não se reforma telhado em dia de chuva.

Reforma de telhado precisa de alvará? A maioria dos municípios não exige alvará para reforma que mantenha a mesma área, inclinação e altura. Se alterar a volumetria (elevar o telhado para criar sótão), aí precisa de alvará de construção e projeto aprovado.

Dá para reformar o telhado sem sair de casa? Sim, na maioria dos casos. A equipe trabalha de cima para baixo e protege os ambientes com lona. Mas haverá poeira, ruído e eventual exposição a sol ou chuva. Se a reforma incluir troca de estrutura, os cômodos diretamente abaixo ficam temporariamente expostos.

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