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Telha Quebrada com Chuva: Soluções Temporárias, Reparo Definitivo e Custos Atualizados em 2026

Telha quebrada e chuva forte? Proteja o interior, cubra com lona e saiba quanto custa o reparo definitivo. Protocolo de emergência e custos SINAPI.

RF

Rodrigo Freitas

Engenheiro Eletricista (UNESP)

Trabalhador brasileiro colocando lona azul sobre telhas cerâmicas quebradas em telhado de casa residencial em Belo Horizonte após temporal, nuvens de chuva ao fundo, escada encostada na casa, condições de piso molhado
Lona azul é a primeira barreira entre a chuva e o interior da sua casa — mas não substitui a troca da telha quebrada

Três da manhã. O barulho de pingos caindo dentro de um balde acorda a casa inteira. Não é torneira, não é ar-condicionado — é água da chuva atravessando o telhado e caindo direto no meio da sala. Se isso está acontecendo agora com você, a primeira instrução deste artigo inteiro é esta: não suba no telhado. Telha cerâmica molhada é escorregadia, frágil e traiçoeira. Queda de telhado está entre as maiores causas de acidente doméstico no Brasil. Resolva primeiro o que está dentro de casa. O telhado espera o sol voltar.

Telha quebrada parece problema simples — uma peça de barro rachada, uma goteira no canto do quarto. Mas quando a chuva é forte e contínua, o dano escala rápido. A água que entra por uma telha trincada escorre pela estrutura de madeira, encharca o forro, mancha o teto, atinge fiação dentro da laje e, em poucos dias, cria mofo que se espalha pela alvenaria. Segundo a Nacional Telha, a infiltração pode enfraquecer materiais de construção como concreto, madeira e gesso, comprometendo a integridade do imóvel inteiro. Uma telha de R$ 1,50 ignorada hoje vira uma reforma de R$ 5.000 daqui a seis meses.

Este guia cobre o protocolo de emergência durante a chuva, como fazer a cobertura temporária com lona depois que a água parar, quando e como trocar a telha de verdade, quanto custa cada nível de reparo e o que o seguro residencial pode cobrir. Os custos de referência usam dados de mercado em capitais do Sudeste e a tabela SINAPI de janeiro/2026 do IBGE.

O que fazer agora: protocolo durante a chuva

Se a água já está entrando pela telha quebrada e a chuva continua lá fora, não tente subir no telhado. Ninguém sobe em telha molhada — nem profissional experiente faz isso sem necessidade extrema. A NR-18 do Ministério do Trabalho proíbe trabalhos em telhados durante chuvas, e a razão é objetiva: telha cerâmica absorve água, fica escorregadia e mais quebradiça. Se quebrou uma, você pisa e quebra mais três.

1. Coloque um balde ou bacia sob cada goteira. Parece óbvio, mas muita gente gasta 20 minutos procurando a causa no telhado enquanto a água vai destruindo o piso de porcelanato da sala. Balde primeiro. Diagnóstico depois.

2. Cubra móveis e eletrônicos com plástico. Saco de lixo grande, lona, filme plástico — qualquer coisa que impeça a água de atingir sofá, televisão, notebook e camas. Se a goteira está no quarto, mova o colchão para outro cômodo. Estofados molhados criam mofo em 48 horas.

3. Desligue a energia do cômodo afetado. Água e eletricidade juntas significam risco de choque. Vá até o quadro de distribuição e desligue o disjuntor do cômodo onde a goteira está. Se não sabe qual é, desligue o geral. Não plugue nada em tomadas próximas à infiltração.

4. Use toalhas para direcionar a água. Se a água está escorrendo pela parede ou pelo forro em vez de gotejar, enrole toalhas na base da parede para absorver e direcionar o fluxo até o balde. Isso evita que a água se espalhe pelo piso inteiro.

5. Fotografe tudo. Goteira ativa, manchas no teto, telha visível de dentro (se possível), móveis afetados. Fotografe com data e hora. Isso é prova para o seguro residencial e para condomínio, se aplicável.

Infográfico com protocolo de emergência para telha quebrada com chuva: 4 passos dentro de casa durante a chuva e 4 passos do lado de fora após a chuva parar, incluindo balde, proteção de móveis, desligamento de energia e cobertura com lona
Siga a sequência: resolva o interior durante a chuva e só suba no telhado quando estiver seco

Quando a chuva parar: cobertura temporária com lona

A chuva cessou. Agora sim, hora de subir — mas com cuidado. Espere o telhado secar. Telha cerâmica molhada leva de 2 a 3 horas para perder a película de água superficial que a torna escorregadia. Se o dia continuar nublado, espere mais. Pressa no telhado é o que causa acidente.

Materiais para a cobertura de emergência

Você encontra tudo isso em qualquer loja de material de construção ou home center:

  • Lona azul de polietileno (PEBD), 4×3m ou 5×4m: R$ 15 a R$ 40. Prefira a de 150 ou 200 micras — a mais fina (100 micras) rasga com vento forte.
  • Cordas ou arames: R$ 10 a R$ 20 para amarrar a lona na estrutura.
  • Pedaços de caibro ou sarrafos: para prender a lona sobre as telhas sem furar nada.
  • Opcional: manta asfáltica autoadesiva em fita (10 cm × 10 m): R$ 25 a R$ 50. Excelente para vedar trincas na telha sem removê-la, mas funciona melhor como solução intermediária, não como reparo definitivo.

Como fixar a lona no telhado

Passo 1. Estenda a lona sobre a área danificada. A lona deve passar pelo menos 50 cm além de cada lado da área com telhas quebradas — assim a água escorre pela lona e cai sobre telhas intactas, não entra pelas bordas.

Passo 2. Passe a borda superior da lona por cima da cumeeira do telhado (o ponto mais alto), se possível. Isso impede que a chuva entre por cima da lona.

Passo 3. Fixe a lona com caibros, sarrafos ou pedras pesadas sobre as bordas. Se a lona tiver ilhoses metálicos, passe corda pelos ilhoses e amarre em pontos firmes da estrutura — terças, caibros ou até na calha. Não use pregos diretamente nas telhas — você vai criar mais furos.

Passo 4. Verifique se a lona não está fazendo “bolsa” — se a água acumular em uma área côncava da lona, o peso pode arrastar a lona inteira e danificar mais telhas. A lona deve estar esticada e com inclinação para que a água escorra.

Essa cobertura dura de 1 a 4 semanas, dependendo da qualidade da lona e da intensidade das próximas chuvas. Não é reparo — é emergência. O profissional precisa ser chamado o quanto antes.

Por que a telha quebrou: as 5 causas mais comuns

Telha não quebra sozinha. Sempre tem uma causa — e entender a causa evita que o problema se repita depois do reparo.

1. Granizo e vendaval

Chuva de granizo é a causa mais violenta. Pedras de gelo acima de 2 cm de diâmetro quebram telhas cerâmicas com facilidade. Vendaval acima de 60 km/h levanta telhas mal encaixadas e as arremessa pelo telhado — uma telha solta em queda livre quebra três ou quatro abaixo dela. Se a tempestade foi forte o suficiente para quebrar telhas, é provável que mais peças tenham trincado sem você perceber. A inspeção pós-tempestade deve cobrir o telhado inteiro.

2. Pisada humana

Alguém subiu no telhado — antena, instalação de parabólica, limpeza de calha, pintura — e pisou no ponto errado. Telha cerâmica suporta carga concentrada de 100 a 130 kgf quando apoiada sobre a estrutura, conforme a NBR 15310. Mas se o pé apoiar fora da sobreposição (a área onde duas telhas se sobrepõem), a telha trabalha em balanço e quebra. A regra de ouro: pise sempre sobre a linha onde as telhas se apoiam nos caibros.

3. Envelhecimento e fadiga

Telha cerâmica dura de 20 a 50 anos, dependendo da qualidade da argila e da queima. Mas com o tempo, ciclos de molhar e secar, dilatação térmica e porosidade crescente vão enfraquecendo a peça. Telha que já está com 20+ anos pode trincar com uma chuva de granizo que não afetaria uma telha nova. Se várias telhas estão quebrando simultaneamente, o telhado pode precisar de troca completa, não só de remendos.

4. Estrutura de madeira cedendo

Quando o madeiramento — terças, caibros, ripas — está apodrecido, atacado por cupim ou mal dimensionado, ele se deforma. As telhas, que dependem de apoio uniforme, ficam desalinhadas e sob tensão. Uma telha tensionada quebra na primeira vibração forte: vento, granizo, ou até o peso de um gato andando pelo telhado. Se a causa das quebras é estrutural, trocar só a telha é jogar dinheiro fora.

5. Inclinação inadequada

Cada tipo de telha exige uma inclinação mínima. Telha cerâmica colonial precisa de 30% (17°) de caimento. Telha romana, 25%. Se o telhado foi construído com inclinação abaixo do mínimo, a água não escorre rápido o suficiente, faz represamento entre as sobreposições e entra por infiltração — mesmo sem telha quebrada. Além disso, o peso acumulado de água parada estressa a estrutura e as telhas.

Quanto custa reparar o telhado

O custo varia enormemente: de R$ 40 (uma lona e uma corda) a R$ 8.000 (troca de madeiramento e telhas de uma seção inteira). O que define o preço é a gravidade do dano e a causa raiz.

Infográfico comparando três níveis de custo para reparo de telhado: solução temporária com lona R$ 40 a R$ 100, reparo parcial trocando telhas R$ 200 a R$ 800, e seção completa com madeiramento novo R$ 2.000 a R$ 8.000, com itens incluídos e duração de cada solução
Quanto mais tempo você adiar o reparo parcial, mais perto fica da conta de seção completa

Solução temporária (R$ 40 a R$ 100)

Material: lona azul de polietileno (R$ 15 a R$ 40), cordas e arames (R$ 10 a R$ 20), balde e toalhas (R$ 15 a R$ 40). Sem mão de obra profissional — o morador faz sozinho, com cuidado.

Duração: 1 a 4 semanas.

Quando usar: emergência imediata durante ou logo após a chuva, quando não é possível chamar profissional no mesmo dia. Funciona como barreira, não como reparo.

Reparo parcial — troca de telhas (R$ 200 a R$ 800)

O profissional sobe no telhado, remove as telhas quebradas e encaixa telhas novas do mesmo modelo. Se a estrutura estiver íntegra, o serviço leva meio dia a um dia. Inclui:

  • Telhas novas (5 a 15 unidades): R$ 10 a R$ 45, dependendo do tipo. A telha cerâmica colonial custa de R$ 0,89 a R$ 1,50 por unidade, conforme dados de distribuidores de SP. A portuguesa sai por R$ 1,20 a R$ 1,80. A esmaltada, R$ 2,10 a R$ 3,00.
  • Mão de obra (meia a uma diária): R$ 150 a R$ 250. A diária de um telhador no Sudeste fica entre R$ 150 e R$ 200, segundo pesquisa de mercado em SP. Meia diária para troca de poucas telhas: R$ 100 a R$ 150.
  • Cumeeira e rufos (se necessário): R$ 40 a R$ 200. Se o vento deslocou peças de cumeeira ou danificou os rufos, a reposição é necessária para não voltar a infiltrar.

Esse é o cenário mais comum e mais custo-eficiente: poucas telhas danificadas, estrutura firme, reparo rápido.

Seção completa — madeiramento + telhas (R$ 2.000 a R$ 8.000)

Quando a estrutura de madeira está comprometida (apodrecimento, cupim, deformação), não adianta trocar só a telha. O telhador precisa remover as telhas da seção afetada, trocar caibros, ripas e eventualmente terças, e depois remontar a cobertura com telhas novas.

Para uma seção de 20 a 50 m²:

  • Telhas novas: R$ 500 a R$ 1.800, dependendo do tipo e da área.
  • Madeiramento novo (caibros, ripas, terças): R$ 800 a R$ 2.500. A estrutura de madeira custa entre R$ 40 e R$ 42/m² (SINAPI, SP, janeiro/2026).
  • Mão de obra (3 a 7 diárias): R$ 450 a R$ 1.750.

Para referência completa de custos por tipo de telha e estrutura, confira nosso guia de quanto custa um telhado em 2026.

3 soluções temporárias além da lona

A lona é a solução de emergência número um, mas existem alternativas para situações específicas. Nenhuma substitui a troca da telha — são soluções de dias ou semanas, não de anos.

Manta asfáltica autoadesiva

A manta asfáltica autoadesiva (fita de 10 a 15 cm de largura) é aplicada diretamente sobre a trinca da telha. Funciona bem em trincas pequenas — até 5 cm — sem necessidade de remover a telha. A aplicação é a frio: remova o filme protetor e pressione a manta sobre a superfície limpa e seca. Custo: R$ 25 a R$ 50 o rolo de 10 metros. Duração: 3 a 6 meses em condições normais.

Não funciona em telhas que quebraram em dois ou mais pedaços. Nesses casos, a telha precisa ser substituída.

Selante acrílico ou SOS Telhas

Produtos como SOS Telhas da Redelease colam pedaços de telha quebrada no lugar. O processo é simples: limpe a superfície, aplique o produto e pressione o pedaço quebrado de volta. Funciona para trincas onde a telha não perdeu pedaços. Custo: R$ 20 a R$ 45 por embalagem.

Limitação: o reparo não resiste a impactos fortes. Se a causa foi granizo, a mesma tempestade pode descolar o reparo.

Manta líquida (impermeabilizante acrílico)

A manta líquida é um impermeabilizante aplicado com rolo ou pincel diretamente sobre o telhado. Custa R$ 41,30/m² com aplicação (SINAPI, SP, janeiro/2026), conforme detalhamos no artigo sobre quanto custa impermeabilização. É uma boa solução intermediária quando várias telhas têm microtrincas (trincas finas que ainda não quebraram a telha), mas o custo é maior e a aplicação exige dia seco.

Como trocar a telha quebrada: passo a passo

Trocar uma telha cerâmica é um serviço simples — quando feito certo e em condições seguras. Um morador com experiência mínima pode fazer sozinho se forem poucas telhas e o telhado tiver inclinação suave.

Pré-requisitos de segurança:

  • Telhado completamente seco (mínimo 2-3 horas sem chuva).
  • Calçado antiderrapante com sola de borracha.
  • Escada firme, apoiada em superfície plana, com alguém segurando na base.
  • Nunca suba sozinho. Alguém deve estar no chão observando.
  • Se o telhado tiver inclinação acima de 35% ou altura acima de 3 metros, chame profissional. A NR-35 do Ministério do Trabalho classifica trabalho acima de 2 metros como trabalho em altura, com exigência de treinamento e EPI.

Passo 1 — Suba pela escada até a altura do telhado. Não suba diretamente sobre as telhas. Use a escada para acessar a área danificada e caminhe sobre as linhas de apoio das telhas nos caibros.

Passo 2 — Levante as telhas ao redor da quebrada. Telha cerâmica é encaixada por sobreposição — cada telha cobre parte da que está abaixo. Levante delicadamente as telhas superiores e laterais para liberar a telha danificada. Use as duas mãos.

Passo 3 — Remova a telha quebrada. Se a telha quebrou em pedaços, retire cada fragmento com cuidado. Se apenas trincou, deslize-a inteira para fora do encaixe.

Passo 4 — Verifique a ripa e o caibro abaixo. Com a telha removida, inspecione a ripa e o madeiramento. Se a madeira está escurecida, mole ao toque ou com sinais de cupim, o reparo precisa incluir troca da madeira — e aí não é mais serviço de morador, é de telhador profissional.

Passo 5 — Encaixe a telha nova. Coloque a telha nova no mesmo sentido e posição da anterior. Verifique se a sobreposição está correta — a telha de cima deve cobrir a junção da telha de baixo. Se o modelo for diferente (colonial no lugar de portuguesa, por exemplo), o encaixe não vai funcionar. A telha nova deve ser do mesmo modelo e fabricante, se possível.

Passo 6 — Reposicione as telhas ao redor. Abaixe as telhas que você levantou e verifique se o conjunto está bem assentado. Uma telha mal encaixada vai gerar goteira mesmo sendo nova.

Segurança: por que nunca subir no telhado molhado

Esse ponto merece uma seção própria, porque a maioria dos acidentes com telhado acontece exatamente quando alguém tenta resolver o problema na hora errada.

A NR-18, item 18.18 é direta: trabalhos em telhados durante chuvas são proibidos. A NR-35 complementa: qualquer trabalho acima de 2 metros exige análise de risco, treinamento e sistema de proteção contra quedas. Essas normas valem para obras profissionais, mas o raciocínio se aplica igualmente a quem sobe no telhado de casa.

Por que telha molhada é perigosa:

  • A superfície cerâmica fica coberta por uma película de água que elimina o atrito. Sola de borracha não segura.
  • A telha absorve umidade e fica mais frágil — quebradiça sob carga pontual (pisada).
  • Telhado molhado + pressa = escorregão. E queda de 3 metros (a altura média de um telhado residencial) pode causar fratura, traumatismo craniano ou morte.
  • Estruturas de madeira molhadas também ficam escorregadias — caibros e ripas que normalmente oferecem apoio se tornam superfícies de risco.

A regra é simples: se está chovendo ou se choveu nas últimas 2-3 horas, ninguém sobe. Resolva por dentro (balde, toalha, plástico) e espere secar. A goteira temporária causa dano material. A queda causa dano irreversível.

O seguro residencial cobre telha quebrada?

Depende da causa e da apólice. A cobertura básica do seguro residencial (incêndio, raio, explosão) geralmente não inclui danos por vendaval ou granizo. Você precisa contratar a cobertura adicional de “vendaval, furacão, ciclone, tornado e granizo”, que existe em praticamente todas as seguradoras.

O que o seguro cobre quando contratado:

  • Destelhamento causado por vendaval (vento com velocidade acima do limite definido na apólice, geralmente 54 km/h).
  • Telhas quebradas por granizo.
  • Danos internos decorrentes da entrada de água pela cobertura danificada (forro, pintura, piso, móveis).
  • Custo de mão de obra para reparo emergencial, em algumas apólices.

O que o seguro não cobre:

  • Desgaste natural das telhas (envelhecimento, fadiga).
  • Telha quebrada por pisada (manutenção inadequada).
  • Dano preexistente à tempestade.
  • Falta de manutenção comprovada.

Segundo a BB Seguros, a cobertura de vendaval inclui indenização por perdas e danos materiais causados aos bens da residência, inclusive destelhamento. O SEGS Portal de Seguros alerta que os detalhes variam entre seguradoras — leia a apólice antes de precisar dela.

Se você mora em região com chuvas fortes frequentes (Sudeste e Sul, outubro a março), contratar essa cobertura adicional custa entre R$ 30 e R$ 80 por ano — menos que o preço de 5 telhas novas.

6 sinais de que o problema é maior que uma telha

Uma telha quebrada pode ser só uma telha quebrada. Ou pode ser o sintoma de um problema estrutural que vai piorar. Estes sinais indicam que o reparo pontual não basta:

1. Mais de 5 telhas quebradas ao mesmo tempo. Se uma tempestade quebrou uma, tudo bem. Se quebrou dez, a cobertura pode estar comprometida por envelhecimento — e mais vão quebrar na próxima.

2. Manchas de umidade no forro que crescem. Mancha estável é sinal de infiltração resolvida. Mancha que cresce é água entrando ativamente — e pode indicar mais de um ponto de falha no telhado.

3. Madeira visivelmente escurecida ou mole. Se ao remover a telha você vê a ripa ou o caibro escurecido, amolecido ou com fungos brancos (bolor), a madeira está apodrecendo. Troca pontual de telha sobre madeira podre não resolve nada.

4. Telhas desalinhadas (uma mais alta que a outra). Desalinhamento indica que a estrutura se deformou — caibro cedeu, terça entortou. Isso muda a geometria do telhado e cria pontos de represamento de água.

5. Cupim na estrutura. Se encontrar túneis de cupim (linhas de barro escuro) nos caibros ou terças, o problema é sério. Cupim de madeira seca pode comprometer um caibro inteiro em poucos meses. Precisa de descupinização + avaliação estrutural.

6. Infiltração em cômodos distantes da telha quebrada. Se a goteira está no quarto, mas a telha quebrada está sobre a cozinha, a água está viajando pela estrutura. Isso significa que há mais de um ponto de falha ou que a impermeabilização da laje intermediária está comprometida.

Se dois ou mais desses sinais estiverem presentes, não contrate só um telhador — contrate um pedreiro ou mestre de obras que avalie a estrutura como um todo.

Prevenção: como evitar telha quebrada

Prevenir é, como sempre, mais barato que remediar. Estas 5 medidas cobrem as causas mais comuns de telha quebrada.

1. Inspeção visual do telhado a cada 6 meses. Olhe do chão mesmo — com binóculo, se precisar. Procure telhas desalinhadas, trincadas, deslocadas ou com musgo excessivo. Se encontrar alguma, agende o reparo antes da temporada de chuvas (outubro a março no Sudeste).

2. Limpeza de calhas e rufos. Calha entupida com folhas faz a água transbordar para dentro da estrutura em vez de escoar pelo condutor pluvial. Limpe a cada 3 meses, especialmente se tiver árvores perto.

3. Não ande sobre o telhado sem necessidade. Cada pisada é uma chance de quebrar telha. Se precisar acessar antena, caixa d’água ou parabólica, use tábuas apoiadas sobre as linhas de caibro para distribuir o peso.

4. Reposição preventiva de telhas com mais de 25 anos. Telha cerâmica com mais de 25 anos está no limite. Se o madeiramento estiver íntegro, trocar as telhas preventivamente custa uma fração do que custa trocar telhado com urgência durante a temporada de chuvas — quando a mão de obra está cara e escassa.

5. Tratamento anticupim no madeiramento. Aplique cupinicida a cada 5 anos nos caibros e ripas. O tratamento preventivo custa de R$ 200 a R$ 600 para uma casa, segundo dados do nosso artigo de quanto custa descupinização. Um caibro destruído por cupim custa mais de R$ 1.000 entre madeira nova e mão de obra.

Checklist de emergência: telha quebrada com chuva

Salve no celular. Use na próxima chuva forte.

  • Agora: Coloque balde ou bacia sob cada goteira.
  • 2 minutos: Cubra móveis e eletrônicos com plástico.
  • 5 minutos: Desligue o disjuntor do cômodo afetado.
  • 5 minutos: Coloque toalhas na base de paredes com escorrimento.
  • 10 minutos: Fotografe todos os danos (goteira, teto, móveis).
  • Quando a chuva parar: Espere 2-3 horas para o telhado secar.
  • Telhado seco: Suba com calçado antiderrapante. Cubra a área com lona azul, fixando com caibros ou cordas.
  • Mesmo dia: Ligue para telhador ou pedreiro e peça orçamento.
  • Mesmo dia: Se mora em condomínio, notifique o síndico por escrito.
  • Mesmo dia: Se tem seguro com cobertura de vendaval, abra o sinistro.
  • Até 7 dias: Realize o reparo definitivo (troca de telhas).

Cada dia sem reparo definitivo é um dia de risco. A lona pode voar, rasgar ou fazer bolsa de água. A chuva seguinte pode ser pior que a anterior. Resolva o temporário hoje e o definitivo até o fim da semana.

Perguntas frequentes

Posso usar espuma expansiva para tampar o buraco no telhado?

Pode, mas não deve. A espuma expansiva (poliuretano) veda o buraco momentaneamente, mas deteriora com exposição ao sol em poucas semanas. Além disso, ela impede a ventilação natural do telhado e dificulta o encaixe correto da telha nova quando o profissional vier fazer o reparo. Use lona ou manta asfáltica adesiva — são mais práticas e não atrapalham o reparo definitivo.

Quantas telhas devo ter de reserva em casa?

Mantenha pelo menos 10% do total de telhas do seu telhado como reserva. Uma casa com 1.000 telhas deve ter 100 unidades guardadas. Como telhas cerâmicas variam de fabricante para fabricante (cor, tamanho, encaixe), é difícil encontrar o modelo exato anos depois. Compre a reserva junto com a obra ou a troca.

Telha trincada infiltra mesmo sem estar quebrada por completo?

Sim. Uma trinca de 1 mm em telha cerâmica já permite passagem de água em chuva forte. A água penetra por capilaridade — sobe pela trinca contra a gravidade quando o volume de chuva é alto. Trinca em telha é telha para trocar.

O condomínio paga se a telha quebrada for na cobertura?

Depende da convenção. Na maioria dos condomínios, a cobertura do prédio (telhado) é área comum, e a manutenção é responsabilidade do condomínio, com base no Código Civil, artigo 1.336. Mas se o morador da cobertura fez alterações no telhado sem autorização (instalou estrutura, mudou telhas, subiu equipamento), pode ser responsabilizado pelo dano. Consulte a convenção do condomínio e notifique o síndico por escrito.

Manta asfáltica autoadesiva é solução definitiva?

Não. A manta autoadesiva em fita é solução temporária — dura de 3 a 6 meses em exposição ao sol e chuva. Para impermeabilização definitiva do telhado, é necessário um sistema completo (manta asfáltica 3 mm com maçarico ou manta líquida acrílica aplicada em camadas). Veja a comparação completa no nosso artigo sobre manta asfáltica vs impermeabilizante líquido.

Quanto tempo leva para trocar as telhas quebradas?

Para um reparo parcial (5 a 15 telhas), o telhador leva de 2 a 4 horas — menos de um dia. Para troca de seção completa com madeiramento, o serviço leva de 2 a 5 dias úteis. O tempo depende da área afetada, do tipo de telha e da condição da estrutura.

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