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Entendendo o SINAPI: o que é a tabela de preços do IBGE/Caixa, como consultar custos de mão de obra e material, e como conferir orçamentos

O que é SINAPI: tabela de custos do IBGE/Caixa com preços de mão de obra e material por estado. Como consultar, ler composições e conferir orçamentos em 2026.

RF

Rodrigo Freitas

Engenheiro Eletricista (UNESP)

Engenheiro brasileiro analisando planilhas de custos SINAPI em escritório em Porto Alegre, laptop com site do IBGE ao fundo e plantas de obra na mesa
O SINAPI é publicado mensalmente pelo IBGE e pela Caixa — é a referência oficial de custos de construção no Brasil

Todo mês, o governo brasileiro publica uma tabela com o preço de referência de cada serviço e material da construção civil — estado por estado, item por item. A tabela se chama SINAPI e quase ninguém fora do meio da engenharia sabe que ela existe. Se você está recebendo orçamento de pedreiro, eletricista ou encanador e quer saber se o preço é justo, essa tabela é a sua melhor arma. O metro quadrado médio de construção no Brasil está em R$ 1.920,74 segundo o SINAPI de janeiro/2026 — mas um ponto de tomada em SP custa R$ 141,60 na tabela enquanto profissionais cobram de R$ 180 a R$ 350 no mercado. A diferença entre saber e não saber consultar o SINAPI pode representar milhares de reais no orçamento da sua obra.

Este guia explica o SINAPI do começo: o que é, quem publica, como funciona por dentro, como consultar, como ler uma composição de custo e como usar essa informação para conferir se o orçamento que você recebeu é razoável. Cada seção traz uma visão panorâmica com link para o artigo que aprofunda o tema. Se você vai reformar, construir ou contratar qualquer profissional de obra, leia antes de assinar qualquer proposta.

O que é o SINAPI

SINAPI é a sigla de Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil. Na prática, é um banco de dados público e gratuito que reúne os preços de referência de materiais, mão de obra e serviços completos da construção civil em todo o Brasil.

O sistema foi criado em 1969 pelo extinto Banco Nacional de Habitação (BNH) — na época, o governo precisava de uma base de dados confiável para orçar os programas habitacionais que estavam nascendo. Quando o BNH foi extinto em 1986, a Caixa Econômica Federal assumiu a responsabilidade técnica de engenharia. Desde então, o SINAPI é mantido por uma parceria entre a Caixa e o IBGE.

A divisão de trabalho é clara: o IBGE faz a coleta de preços em campo (pesquisadores visitam lojas, depósitos e construtoras nas 27 capitais todo mês) e calcula os índices. A Caixa cuida da parte de engenharia — define as composições de serviço, os coeficientes de produtividade e mantém a estrutura técnica do banco de dados.

Em 2013, o Decreto 7.983 tornou o uso do SINAPI obrigatório como referência para orçamento de obras públicas financiadas com recursos da União. Toda obra de habitação, saneamento ou infraestrutura urbana que use dinheiro federal precisa ter custos iguais ou menores que a mediana do SINAPI. Essa obrigatoriedade transformou a tabela no padrão de mercado — mesmo obras privadas usam o SINAPI como régua de preços, porque a base de dados é a mais completa e confiável do país. Engenheiros com registro no CREA e arquitetos com registro no CAU usam o SINAPI rotineiramente para compor orçamentos e emitir ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) com custos de referência.

Alguns números dão dimensão do sistema: o SINAPI mantém milhares de composições de serviço e insumos, cobrindo desde fundação até acabamento. Os dados são usados como referência para obras do Minha Casa Minha Vida, programas de saneamento, construção de escolas e hospitais — qualquer coisa que use dinheiro da União.

Para quem vai reformar ou construir, a lição é simples: o SINAPI é a referência que o governo usa para decidir se um preço é justo. Se serve para fiscalizar obras de bilhões, serve para conferir o orçamento do seu banheiro.

Quem publica e com que frequência

O SINAPI é publicado mensalmente, com dados coletados nas 27 capitais brasileiras. A publicação acontece em duas frentes simultâneas.

O IBGE divulga o fascículo mensal com os índices de custo da construção civil — variação percentual, custo nacional do metro quadrado e análise por região. Os dados ficam disponíveis no portal de estatísticas do IBGE e no sistema SIDRA, em formato de tabelas consultáveis.

A Caixa Econômica Federal publica os relatórios detalhados com preços de insumos e custos de composições, estado por estado. Os relatórios saem em PDF (para consulta rápida) e XLSX (para quem precisa trabalhar com os dados em planilha). O material é disponibilizado gratuitamente no portal SINAPI da Caixa.

A coleta do IBGE funciona assim: pesquisadores do instituto visitam estabelecimentos comerciais — lojas de material de construção, home centers, distribuidores e depósitos — nas capitais de todos os 26 estados e do Distrito Federal. Os preços são coletados para pagamento à vista, sem frete, de uma unidade comercial de cada produto. A mediana dos preços coletados vira a referência da tabela.

Essa frequência mensal garante que a tabela acompanhe o mercado. Quando o preço do aço sobe 15% em dois meses, o SINAPI reflete isso na publicação seguinte. Quando a mão de obra fica mais cara após o dissídio da construção civil, os novos salários aparecem na atualização. É uma fotografia mensal do custo real de construir no Brasil.

Um detalhe relevante: os preços coletados são de pagamento à vista, sem frete (exceto quando indicado na descrição do insumo). Isso significa que o preço do saco de cimento no SINAPI é o que você paga no balcão da loja na capital, sem incluir entrega. Se o material precisa ser transportado para o canteiro de obra, some o frete ao custo do SINAPI. Em obras pequenas (reforma de banheiro, por exemplo), o frete pode representar 3% a 5% do custo total de material.

O que tem na tabela: composições, insumos, mão de obra e BDI

O banco de dados do SINAPI é dividido em dois grandes grupos: insumos e composições.

Insumos são os itens individuais: o preço do saco de cimento de 50 kg, do metro de fio 2,5 mm², da hora do eletricista, da hora do servente. Cada insumo tem um código, uma descrição padronizada, unidade de medida e preço mediano por estado. Os insumos de mão de obra já vêm com encargos sociais incluídos — INSS, FGTS, férias, 13o, vale-transporte. Isso evita que você compare preço de mão de obra “no bico” com preço formal.

Composições são receitas completas de serviço. Uma composição reúne todos os insumos (materiais + mão de obra + equipamentos) necessários para executar um determinado serviço, com os respectivos coeficientes de consumo. É como uma receita de bolo da construção: para fazer 1 m² de alvenaria de tijolo cerâmico, você precisa de X tijolos, Y quilos de argamassa, Z horas de pedreiro e W horas de servente. O custo total da composição é a soma de cada insumo multiplicado pelo seu coeficiente.

Sobre o BDI (Bonificação e Despesas Indiretas): o SINAPI publica os custos diretos — material e mão de obra com encargos. O BDI, que inclui lucro do contratado, administração, impostos e risco, é adicionado por cima pelo empreiteiro ou empresa. Para obras públicas, o TCU (Tribunal de Contas da União) recomenda BDI entre 22% e 28% para edificações. No mercado privado residencial, profissionais aplicam de 20% a 40% dependendo do porte e da formalidade do serviço.

Há uma distinção que confunde muita gente: o SINAPI publica duas versões de tabela — desonerada e não desonerada. A diferença está nos encargos sociais sobre a mão de obra. A versão desonerada exclui a contribuição previdenciária de 20% do INSS sobre a folha de pagamento (benefício previsto na Lei 12.844/2013 para empresas de construção civil que optam pela desoneração). A versão não desonerada inclui todos os encargos, que totalizam cerca de 115% sobre o salário-base. Para conferir orçamento de obra residencial particular, use a tabela não desonerada — que reflete o custo completo da mão de obra formal.

Na prática, a diferença entre as duas tabelas pode chegar a 15-20% no custo de mão de obra. Se você compara um orçamento de mercado com a tabela desonerada sem perceber, vai achar que o profissional está cobrando muito mais do que deveria — quando na verdade está incluindo encargos que a tabela desonerada omite. Atenção ao detalhe.

Como ler uma composição SINAPI: o ponto de tomada

Vamos pegar um exemplo real para você entender como funciona na prática. Vou usar a composição 91922 do SINAPI: ponto de tomada 2P+T 10A, que é o ponto elétrico mais comum em qualquer casa ou apartamento.

O SINAPI decompõe esse serviço em duas partes:

Material (tudo que fica na parede): tomada 2P+T, eletroduto PVC corrugado, caixa 4x2 de embutir e fiação de cobre 2,5 mm². Para SP, o custo de material sai R$ 56,64 (SINAPI, SP, janeiro/2026).

Mão de obra (quem instala): horas de eletricista e ajudante, já com encargos sociais. Para SP, o custo de mão de obra sai R$ 84,96 (SINAPI, SP, janeiro/2026).

Total da composição: R$ 141,60 por ponto de tomada. Material responde por 40% do custo; mão de obra, por 60%.

Infográfico decompondo o custo SINAPI de um ponto de tomada 2P+T 10A em São Paulo: R$ 56,64 de material (40%) e R$ 84,96 de mão de obra (60%), total R$ 141,60
Cada composição SINAPI separa material de mão de obra -- e essa proporção varia conforme o serviço.

Agora, o pulo do gato: esse é o custo direto. Se o eletricista é um profissional regularizado que emite nota fiscal e tem custos indiretos (deslocamento, ferramentas, seguro), ele adiciona o BDI. Com BDI de 25%, o ponto de tomada sai em torno de R$ 177. Se o profissional cobra R$ 200 a R$ 250, está dentro do razoável para SP. Se pede R$ 400, algo está errado — ou é preço de emergência (fim de semana, noturno), ou é margem excessiva.

Quando você recebe orçamento de reforma elétrica completa com 20 pontos novos e o total dá R$ 7 mil, pode fazer a conta: 20 pontos x R$ 177 (SINAPI + BDI 25%) = R$ 3.540 só de pontos. Os outros R$ 3.460 seriam quadro de distribuição, aterramento, fiação do quadro até os pontos e disjuntores. Se a conta fecha, o orçamento é justo. Se não fecha, pergunte o que justifica a diferença. Esse é o poder de consultar o SINAPI: você não precisa ser engenheiro, só precisa saber multiplicar. O artigo quanto custa contratar eletricista detalha os preços por tipo de serviço.

Onde consultar: IBGE, Caixa e busca por código

Consultar o SINAPI é gratuito. Você não precisa ser engenheiro, não precisa de software e não precisa de cadastro. Existem três caminhos principais.

1. Portal SINAPI da Caixa. Acesse caixa.gov.br/sinapi. Lá você encontra os relatórios mensais em PDF e Excel, organizados por estado. Os relatórios mais úteis para leigos são o “Relatório de Custos de Composições” (que mostra o custo total de cada serviço) e o “Relatório de Preços de Insumos” (que mostra preço unitário de materiais e mão de obra). Escolha seu estado, baixe a planilha do mês mais recente e pesquise o serviço que precisa.

2. Portal do IBGE. O site do IBGE publica o fascículo mensal com os índices gerais (variação percentual, custo do m² por estado) e os dados agregados no sistema SIDRA. Esse portal é mais útil para quem quer ver tendências de custo (a construção ficou mais cara ou mais barata neste mês?) do que para consultar o preço de um serviço específico.

3. Ferramentas de busca online. Plataformas como OrçaFascio e OrçaMentor indexam as composições SINAPI e permitem buscar por código ou descrição. Se você sabe o código do serviço (ex: 91922 para ponto de tomada), digita direto. Se não sabe, pesquisa por palavra-chave: “pintura acrílica”, “contrapiso”, “impermeabilização”. Os resultados mostram a composição completa com insumos, coeficientes e preço por estado.

Dica prática: salve no celular o PDF do relatório de composições do seu estado. Quando o profissional apresentar o orçamento na sua sala, você puxa a referência na hora. Não precisa mostrar para ele — só precisa saber se os números fazem sentido. Se o orçamento do encanador está 80% acima do SINAPI sem justificativa (acesso difícil, material especial, urgência), é hora de pedir explicação ou buscar outra cotação. Mais detalhes em quanto custa contratar encanador.

SINAPI vs CUB vs TCPO: quando usar cada referência

No Brasil, existem três grandes bases de referência de custos para construção civil. Cada uma tem um propósito diferente, e saber quando usar cada uma evita confusão.

Comparação entre SINAPI (IBGE/Caixa, gratuito, composições detalhadas), CUB (SINDUSCON, gratuito, custo por m²) e TCPO (PINI, pago, composições com produtividade)
SINAPI detalha item a item; CUB dá a estimativa rápida por m²; TCPO é o padrão do mercado privado.

O SINAPI (IBGE + Caixa) é a referência mais completa e detalhada. Traz composições serviço a serviço, com custo de material e mão de obra separados, por estado, atualizados mensalmente. É gratuito e obrigatório para obras públicas. Melhor uso: conferir se o preço de um serviço específico está dentro do razoável. É a ferramenta certa para comparar o orçamento do pedreiro ou pintor com a referência oficial.

O CUB (Custo Unitário Básico) é calculado pelo SINDUSCON de cada estado e representa o custo médio do metro quadrado de construção, segmentado por padrão (baixo, normal, alto). O CUB de SP para padrão normal (R8-N) está em R$ 2.129,86/m² em janeiro/2026 (SINDUSCON-SP). Melhor uso: ter uma estimativa rápida do custo total de uma construção e reajustar contratos de obra (muitos contratos usam o CUB como indexador). Não serve para conferir preço de serviço específico — é um índice sintético, não detalhado. O guia sobre construção de casa usa o CUB como referência principal.

A TCPO (Tabela de Composições de Preços para Orçamentos) é publicada pela editora PINI desde 1955 e tem mais de 8.500 composições. É a referência tradicional do mercado privado, com dados de produtividade que o SINAPI não tem. Desvantagem: é paga (assinatura do TCPOweb). Se você é proprietário de imóvel conferindo orçamento, a TCPO provavelmente é overkill. Se é engenheiro orçando obra privada com alto nível de detalhe, a TCPO complementa bem o SINAPI.

Na prática, para quem vai reformar ou construir casa: use o SINAPI para conferir preço de serviços específicos, o CUB para ter a estimativa de custo total por m², e esqueça a TCPO (a não ser que você seja profissional da área). Os dois primeiros são gratuitos e cobrem 95% do que você precisa saber.

Como usar o SINAPI para conferir orçamento

Recebeu um orçamento de obra ou reforma e quer saber se o preço é justo? O SINAPI é a ferramenta. O processo é mais simples do que parece.

Passo 1: identifique os serviços. Pegue o orçamento e liste os serviços principais. Exemplo para reforma de banheiro: demolição do revestimento antigo, impermeabilização do piso, contrapiso novo, assentamento de porcelanato em parede e piso, pontos hidráulicos novos, pontos elétricos novos, pintura de teto.

Passo 2: encontre os códigos SINAPI. No portal da Caixa ou em ferramentas como OrçaFascio, pesquise cada serviço. “Assentamento de porcelanato” puxa a composição correspondente. Anote o custo unitário do seu estado.

Passo 3: multiplique pela quantidade. Se o banheiro tem 18 m² de parede + piso para revestir e a composição custa R$ 95/m² no SINAPI (SP), o custo direto de revestimento é R$ 1.710. Some todos os serviços para ter o custo direto total.

Passo 4: adicione o BDI. Aplique entre 25% e 35% sobre o custo direto para chegar no preço razoável de mercado. Isso cobre o lucro do profissional, deslocamento, ferramentas e eventuais impostos.

Passo 5: compare. Se o orçamento está até 30-40% acima do SINAPI + BDI, está dentro da faixa normal de mercado (profissionais em capitais cobram prêmio pela demanda, experiência e garantia). Se está 50% ou mais acima sem justificativa clara, vale pedir explicação ou buscar mais cotações.

Um exemplo concreto: você quer pintar a casa toda internamente. São 180 m² de parede. O SINAPI (SP, janeiro/2026) traz a composição de pintura PVA interna com massa corrida a R$ 23,60/m² (material R$ 10,86 + mão de obra R$ 12,74, já com encargos). Custo direto: 180 x R$ 23,60 = R$ 4.248. Com BDI de 30%: R$ 5.522. Se o pintor cobra R$ 6.500 por tudo (material incluso), está razoável. Se cobra R$ 12 mil, pergunte por quê.

Esse mesmo raciocínio vale para qualquer serviço: piso porcelanato, telhado, reforma de banheiro ou construção de casa inteira. O artigo sobre como precificar serviço explica a perspectiva do profissional.

Duas dicas adicionais que fazem diferença na hora da negociação. Primeiro: peça o orçamento discriminado por serviço (não aceite “valor fechado” sem detalhamento). Segundo: se o profissional se recusar a detalhar, é bandeira vermelha. Profissional sério não tem problema em mostrar o que compõe o preço — e muitos usam o próprio SINAPI como base. O guia de reforma residencial detalha como avaliar orçamentos por etapa de obra.

Para quem vai reformar cozinha ou banheiro — as duas reformas mais comuns no Brasil —, o SINAPI é especialmente útil porque cobre as composições críticas: demolição, impermeabilização, revestimento, hidráulica e elétrica. Só esses cinco serviços representam de 70% a 80% do custo de uma reforma de banheiro. O artigo quanto custa reforma de cozinha traz os valores detalhados.

Limitações: o que o SINAPI não cobre

O SINAPI é excelente, mas não é perfeito. Conhecer os limites da tabela evita frustrações.

Coleta só em capitais. Os preços são pesquisados nas 27 capitais. Cidades do interior, especialmente as menores e mais distantes, podem ter custos diferentes — material pode ser mais caro (frete) ou mão de obra mais barata (menor custo de vida). A diferença pode chegar a 18% para mais ou para menos em relação à capital.

Não cobre todos os serviços. O SINAPI foca em construção civil habitacional, saneamento e infraestrutura urbana. Serviços como design de interiores, paisagismo, automação residencial, móveis planejados, tratamento de piscina e ar-condicionado não têm composição no SINAPI. Para esses itens, a referência é pesquisa de mercado direto.

Atualização mensal tem delay. Em crises de insumos (como a alta do aço em 2021), os preços de mercado podem subir em semanas, mas o SINAPI só reflete na publicação do mês seguinte. Em períodos de volatilidade, o preço real pode estar acima da tabela.

Não inclui BDI. Os custos do SINAPI são diretos. Não incluem lucro, administração, impostos nem risco do contratado. Comparar o SINAPI direto com um orçamento que inclui BDI é comparar maçã com laranja. Sempre adicione de 20% a 35% de BDI ao custo SINAPI antes de comparar com um orçamento de mercado.

Não substitui o orçamento detalhado. O SINAPI é uma referência de preço médio por estado. Cada obra tem particularidades: acesso difícil (andar alto sem elevador), demolição de material duro (granito, concreto), instalação em espaço confinado, horário restrito (condomínio com regras de obra), necessidade de EPI especial ou atendimento a normas como NR-18. Essas condições justificam preço acima da tabela. O SINAPI é a régua, não a sentença.

Não diferencia qualidade de acabamento. A composição de assentamento de porcelanato no SINAPI considera um padrão médio de material. Se você quer porcelanato retificado importado com paginação 60x120, o custo de material vai ser bem maior que o da tabela — e a mão de obra do azulejista também, porque peças grandes e finas exigem mais cuidado na instalação. O SINAPI é uma boa base, mas não captura acabamento premium.

Não considera economia de escala. Profissionais que fazem volume (reformar 10 banheiros num prédio) conseguem preço de material abaixo do SINAPI — compram direto de distribuidores com desconto. Já para um único banheiro, o preço de material no varejo pode ser ligeiramente acima da tabela. O SINAPI reflete a mediana do mercado, não os extremos.

Para serviços que o SINAPI não cobre, sites como Salário.com.br e Cronoshare oferecem referências de mercado — mas não têm a mesma robustez metodológica. Use-os como indicativo, não como parâmetro oficial.

Variação regional: por que SP paga mais que CE pelo mesmo serviço

Um mesmo serviço de construção pode custar de 15% a 35% mais caro dependendo do estado. A variação existe porque os preços de material e mão de obra são coletados localmente — e o custo de vida, a oferta de profissionais e a logística de materiais variam enormemente num país do tamanho do Brasil.

Mapa de custo do m² de construção por região brasileira segundo o SINAPI de janeiro/2026: Sudeste R$ 1.920 a R$ 2.265, Sul R$ 2.035 a R$ 2.075, Centro-Oeste R$ 1.882 a R$ 2.151, Norte R$ 1.766 a R$ 1.844, Nordeste R$ 1.633 a R$ 1.786
O multiplicador regional do SINAPI varia de 0,85 (PI) a 1,18 (SP) -- uma diferença de 39% entre o estado mais barato e o mais caro.

São Paulo é o estado mais caro para construir no Brasil, com multiplicador SINAPI de 1,18 sobre a média nacional. Isso significa que um serviço que custa R$ 100 na média do país custa R$ 118 em SP. Os motivos: custo de vida alto, mão de obra disputada (o pedreiro de SP tem mais opções e cobra mais), e o próprio SINDUSCON-SP reporta pressão constante sobre salários pós-dissídio.

Na outra ponta, estados do Nordeste como Piauí (multiplicador 0,85), Paraíba e Rio Grande do Norte (0,87 cada) têm os menores custos. Material vindo de outras regiões encarece pelo frete, mas a mão de obra é significativamente mais barata que no Sudeste.

O Índice Nacional da Construção Civil (parte do SINAPI) registrou alta de 1,54% em janeiro/2026, com variação regional expressiva: Nordeste (1,85%), Centro-Oeste (1,67%), Sudeste (1,39%), Sul (1,35%) e Norte (1,33%) (IBGE, jan/2026). Mesmo dentro de cada região há diferenças: em janeiro/2026, o Piauí subiu 4,12% enquanto Santa Catarina subiu menos de 1%.

A razão dessa diferença é estrutural. No Sudeste e Sul, as fábricas de cimento, aço, cerâmica e tintas ficam perto dos grandes centros consumidores — o custo logístico é menor. A mão de obra é mais cara porque o profissional tem mais opções de trabalho (indústria, comércio, serviços) e o custo de vida é maior. No Norte e Nordeste, muitos materiais vêm de outras regiões por rodovia ou cabotagem, o que encarece o insumo. Mas a mão de obra é mais acessível porque o custo de vida é menor e a oferta de trabalhadores é proporcionalmente maior em relação à demanda.

O resultado líquido: no Nordeste, material pode custar mais (proporcionalmente ao Sul/Sudeste por conta do frete), mas mão de obra custa bem menos — e como mão de obra é 40% a 60% do custo total de uma obra, o custo final é inferior.

O que isso significa para você: ao consultar o SINAPI, sempre selecione o relatório do seu estado. Usar a tabela de SP para orçar obra no Ceará vai distorcer a comparação. E se você mora numa cidade pequena do interior, ajuste mentalmente: o preço do SINAPI é de capital, e no interior pode ser de 10% a 18% diferente em ambas as direções. Para reformas em cidades muito pequenas (menos de 50 mil habitantes), o profissional pode cobrar adicional de deslocamento se não mora na cidade — e esse custo não está no SINAPI.

O SINAPI no Chama o Pro: como usamos os dados

No Chama o Pro, usamos a tabela SINAPI como espinha dorsal de todo o conteúdo de preço. Cada artigo de “quanto custa” traz referência SINAPI com estado e mês/ano no texto e no frontmatter do site. Quando você lê que impermeabilização de laje custa R$ X/m², esse número vem do SINAPI com multiplicador regional aplicado.

As calculadoras do site — calculadora de reforma, calculadora elétrica e calculadora de construir casa — usam as composições SINAPI como base de cálculo. Quando você insere a metragem e o estado, a calculadora busca os custos unitários do SINAPI para aquela UF e multiplica pela sua quantidade. O resultado é o custo direto de referência, sobre o qual a ferramenta sugere uma faixa de BDI para chegar no preço provável de mercado.

Os dados são atualizados conforme novas edições da tabela saem. No frontmatter de cada artigo e guia, o campo sinapiRef indica exatamente qual publicação foi usada (ex: “SINAPI, SP, janeiro/2026”) e o campo dataDate registra o mês/ano. Quando a tabela é atualizada e os preços mudam, os artigos são marcados para revisão.

A nossa abordagem é transparente: em vez de falar “a reforma custa entre R$ X e R$ Y” sem explicar de onde veio o número, mostramos a composição SINAPI, o multiplicador regional e o BDI estimado. Você pode refazer a conta. Pode discordar da faixa de BDI. Pode comparar com outro estado. Essa é a vantagem de usar uma fonte pública e auditável: qualquer pessoa pode verificar.

Para quem está começando a pesquisar preços de reforma ou construção, recomendo ler primeiro o guia de reforma residencial (que usa SINAPI como base para custos por m²) e o guia de como contratar prestador de serviço (que ensina a usar a tabela na negociação com profissionais).

Perguntas frequentes

O SINAPI serve para obras particulares ou só para licitação? Serve para qualquer pessoa. A obrigatoriedade é para obras públicas com recurso federal, mas a tabela é pública e gratuita. Qualquer proprietário pode consultar para conferir se o orçamento recebido está razoável. Na prática, é a melhor referência de preço justo que existe no Brasil para construção civil.

O preço do SINAPI é o preço final que o profissional deve cobrar? Não. O SINAPI mostra o custo direto (material + mão de obra com encargos). O profissional adiciona o BDI (lucro, impostos, deslocamento, ferramentas, risco) por cima. O preço final de mercado fica tipicamente 25% a 40% acima do custo SINAPI. O artigo sobre como precificar serviço explica esse cálculo pelo lado do profissional.

Qual a diferença entre SINAPI desonerado e não desonerado? A tabela desonerada exclui 20% de contribuição previdenciária (INSS) sobre a mão de obra — um benefício fiscal para empresas de construção. A tabela não desonerada inclui todos os encargos. Para comparar com orçamento de profissional autônomo ou MEI, use a não desonerada.

O SINAPI cobre serviço de design de interiores, paisagismo ou automação? Não. O foco é construção civil habitacional, saneamento e infraestrutura. Para serviços não cobertos, a referência é pesquisa de mercado.

Posso exigir que o profissional cobre exatamente o preço do SINAPI? Pode tentar, mas não é razoável. O SINAPI é preço de referência, não tabelamento. Profissionais em áreas com alta demanda, com especialização ou que oferecem garantia formal cobram acima da tabela — e isso é legítimo. Use o SINAPI como parâmetro para identificar orçamentos muito fora da faixa, não como teto.

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